Sexta-Feira, 23/07/2010, 17:53h
Já começo esta coluna fazendo uma autocorreção: “como era bom” não! “Ah, como é bom o meu PS2!”. Sim, porque eu ainda tenho um PS2. E ainda jogo o meu PS2, mesmo depois de ter comprado, com dinheiro chorado e suado (eca), um PS3 novinho em folha e um PSP de segunda mão (diga-se de passagem que ele foi tirado da mão de uma amiga, que usava o pobrezinho como pen-drive...).
Pois é, o PlayStation 2 (ou Play 2, para os íntimos; PS2 pra quem já é de casa) continua firme e forte na preferência do brasileiro. Lançado no Japão em março de 2000, o PlayStation 2 completou dez anos com mais de 140 milhões de unidades comercializadas em todo o mundo, um recorde que faz dele o líder absoluto no ranking de consoles mais vendidos na história dos games. É pouco ou quer mais?
Bom, acho que quem tem um Play 2 sempre quer mais. E, durante sua década de domínio sobre a indústria dos games, o PS2 sempre soube como dar mais um pouco aos seus usuários. Pra perceber como isso é verdade, basta comparar alguns dos jogos que nasceram ou se desenvolveram tendo o PlayStation como plataforma principal de lançamento.
Cito aqui o caso da série de jogos ‘Tekken’ – da qual, desde já, aviso que sou fã incondicional, apesar do buraco negro de repetições no qual ela se enfiou. Lançado em 1995, o primeiro ‘Tekken’ foi uma resposta direta ao ‘Virtua Fighter’, da Sega, o primeiro jogo de luta em 3D da história dos games. Mostrando superioridade em relação ao rival, ‘Tekken’ conquistou o coração de milhares de gamers ao redor do mundo ao trazer algumas inovações que fizeram dele o jogo de luta 3D número 1, influenciando até franquias consagradas, como ‘Street Fighter’ (que lançou os exemplares ‘Street Fighter EX’ 1, 2 e 3) e ‘Mortal Kombat’ (que, a partir do número 4, foi totalmente transportado para a linguagem 3D).
Com ‘Tekken’, os jogadores foram apresentados a um sistema de combos inovador, que inclui uma possibilidade quase infinita de movimentos. Com botões específicos para soco direito, soco esquerdo, chute direito e chute esquerdo, o lutador-jogador tem a chance de comandar seu personagem (seu ‘boneco’) como se estivesse comandando a si próprio e realizar sequências de até 10 golpes numa única combinação (haja paciência pra decorar tanto botão!).
Cada personagem também tinha pelo menos dois agarrões (mostrados em sequências especiais de animação), além de golpes especiais e ataques específicos de acordo com sua posição. É uma mudança significativa em relação ao ‘Virtua Fighter’, que se prendia a uma estrutura simples, com botões para soco, chute e agarrão.
No entanto, este é apenas um detalhe nas inovações trazidas pelo ‘Tekken’ do saudoso PS1. A principal está aqui: a revolução gráfica trazida pelo game. Comparado aos gráficos quadrados de ‘Virtua Fighter’, ‘Tekken’ fez brilhar os olhos dos gamers com cenários ricos em detalhes e perspectivas, personagens que podiam trocar de roupa e um plus: vídeos com sequências curtas de animação que fazem toda a diferença e são o charme da franquia.
E onde é que o PS2 entra nessa história? É muito simples: apesar dos avanços que citei, o PS1 apresentava limitações instransponíveis mesmo aos melhores programadores. E é muito fácil perceber isso. Pra isso, vamos voltar ao ‘Tekken’. Pedra fundamental da franquia, o primeiro jogo parece um piloto (uma versão beta, digamos assim) se comparado com o ‘Tekken 3’ (último exemplar da franquia a ser lançado no PS1). Isso porque, com o tempo, os programadores foram descobrindo os “macetes” do sistema e, sobre a mesma “base de dados”, foram aprimorando os gráficos dos personagens e cenários, aparando as pontas, literalmente (os personagens foram ficando menos quadradões). Mas, por mais que se esforçassem, não dava para superar os limites do sistema. E eu me arrisco a dizer que, com ‘Tekken 3’, os programadores da Namco levaram o PS1 ao seu limite.
É aí que entra o PS2: com ‘Tekken 4’, ‘Tekken 5’ e ‘Tekken Tag’, o PlayStation adentrou em um novo universo de definição gráfica, que durante muito tempo não encontrou adversários à altura, até o surgimento dos videogames da nova geração (a sétima). Mas nem por isso, nem mesmo pelo lançamento do PlayStation 3, os fãs de Play 2 – fãs como eu – deixaram seus PS2s de lado. Com uma biblioteca de jogos (ou seria ‘gamoteca’?) sem igual, o PS2 foi o console onde surgiram jogos que entraram para história. Vou dar só alguns exemplos: ‘Shadow of the Colossus’ (que foi parar no filme ‘Reine Sobre Mim’, de Adam Sandler); a trilogia ‘Prince of Persia’ (que também virou filme); os dois primeiros ‘God of War’; o revolucionário e quase unânime ‘Grand Theft Auto’...
Enfim, é por essas e outras que nem a Sony, e nem os jogadores, desistiram do PS2. Apesar de os lançamentos se tornaram cada vez mais escassos, restringindo-se principalmente a adaptações de filmes infantis de animação, os jogadores têm à disposição uma quantidade infindável de jogos, com a vantagem de serem muito mais acessíveis do que os lançamentos para PS3 ou XBox 360.
E durante quanto tempo o PS2 ainda vai respirar? Considerando-se que o PS1 foi lançado em dezembro de 1994 e descontinuado em março de 2006 (exatamente seis anos depois do lançamento do PS2, que ocorreu em março de 2000), podemos concluir que o Play 2 ainda tem mais uns dois anos de sobrevida, já que seu sucessor foi lançado em novembro de 2006. Não sou Nostradamus, nem descendente dos maias, mas acho que o PS2 vai acabar em dezembro de 2012. Prepare sua arca. (Carlos Henrique Gondim, Diário Online)
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