Quinta-Feira, 26/08/2010, 19:14h
Divertido e seguindo a linha dos velhos clássicos dos anos 80. Vou dizer o quê? Adorei!
Há alguns meses atrás, dentro de um ônibus, eu, Brunno, Vinícius e Danilo Passos (do blog 100 Grana) especulávamos sobre Os Mercenários, novo filme dirigido e estrelado por Sylvester Stallone, que convocou o dream team dos filmes ação de todos os tempos ou pelo menos, quem pôde comparecer.
Havia um medo de que fosse uma tremenda bola fora, com todo mundo pagando mico em tela. Eu pessoalmente, me lembro de ter dito: “Olha, o Stallone, desde que retomou as franquias dele, mandou bem. Rocky foi f%$¨, Rambo IV mesma coisa, eu acho que ele tem uma idéia de como a coisa funciona bacana e não vai fazer algo besta”.
Conferimos o filme essa semana, tanto que você já conferiram o Videocast estrelado por Vinícius e Diego Andrade, após a sessão. Saí do trabalho (a ocasião pediu esta música no MP3) e fui conferir ao lado de Danilo Passos, na única sessão rolando na cidade. E o que posso dizer? Eu não saí do cinema decepcionado, isso eu garanto, muito pelo contrário.
A trama, se observarmos, não tem nada de inovadora: Um grupo de mercenários topa a missão de tirar do poder um ditador numa ilhota remota da América do Sul, mas acabam se envolvendo mais do que deviam e descobrem que só encostaram na ponta do iceberg dos problemas. Parece um plot tirado de qualquer filme que passava nos “Cinema em Casa” ou “Domingo Maior” da vida, lá pelas décadas de 80 e 90.
O diferencial é o elenco, composto por alguns dos nomes que ajudaram, ao longo dos anos, a criar o que compõe hoje o imaginário do coletivo dos fãs desses brucutus do cinema de ação, grupo do qual me orgulho em dizer que faço parte.
Tenho lido muitas críticas a respeito deste filme e percebo muita gente que “não entendeu a piada“. A maior parte procura execrar a violência, sempre também dando uma tremenda ênfase à polêmica brincadeira de Stallone sobre as filmagens no Brasil, como se isso fosse relevante para o entendimento ou apreciação do filme.
Do modo que eu vejo, Stallone fez duas coisas. Primeiro: Reuniu um elenco que produtor ou diretor algum conseguira ou se deu ao trabalho de tentar reunir para uma produção de ação.
Segundo: criou uma premissa básica, sem intenções de deixar o povo indo para casa “pensando em questões filosóficas“, mas uma aventura que empolgasse o público e permitisse que seus atores fizessem o que sabem melhor em suas àreas de atuação. Rocky e Rambo são personagens sofridos, marcados pela vida e pelas injustiças que sofreram e tentando se ajustar ao sistema que os rejeita.
Já Barney Ross e seus amigos “dispensáveis” não tem nada de traumatizados, vivem uma vida que escolheram e parecem muito à vontade com isso, como um bando de velhos amigos se reunindo num bar para tirar sarro um da cara do outro, disputas de tiro ao alvo e até conselhos amorosos, vejam vocês.
E mesmo assim, ao longo do filme, Sly ainda meio que escondeu algumas mensagens subliminares no perfil de alguns personagens, até como forma de criticar certas coisas, como vocês puderam conferir aqui. É como disse Diego Andrade: “Besta é quem acha que Sylvester Stallone é besta”.
A melhor cena, aquela que faz você dar um sorriso de canto de boca é sem dúvida, o esperadíssimo encontro entre Sly, Arnold Schwarzenegger e Bruce Willis. Impossível não curtir os três juntos, um tirando com a cara do outro, nos fazendo questionar se um não vai meter mão na cara do outro :)
Frases canastronas? Sim. Donzelas heroínas em perigo? Sim. Vilões clichês? Sim. Explosões, desmembramentos, tiros (e que tiros, hein, Terry Crews?), facadas e lutas? Final previsível (ou quase, adorei duas coisas que “não” aconteceram)? Sim, os elementos tão desprezados pelos sábios de plantão são justamente o mérito do filme. É como aquela banda que fazia um som na formação original, se separa e volta alguns anos depois: você curte o som e até se esquece do quanto gostava.
Há quem diga que este gênero esteja ultrapassado, fora de moda e nada seja perto dos “Homens de Ferro” da vida. Nada contra o ferroso, sou igualmente fã dele e curto bastante o personagem, mas acredito que os velhos heróis, aqueles que se ferram e só contam com astúcia, os punhos ou um trabuco na mão (como diria Han Solo) ainda tem seu valor.
É o mesmo princípio do faroeste. Os elementos são os mesmos, a fórmula já é batida, mas tem fãs fervorosos que ainda curtem, mesmo que não esteja no multiplex mais próximo o tempo todo.
Se o gênero está acabando, eu não sei. Todos nós crescemos, vemos o mundo mudar a nossa volta, mas não deixamos de gostar de uma boa aventura quando ela aparece. Se está acabando, vai saindo de cena em grande estilo. E essa música não me sai da cabeça.
Quando eu era pequeno, lembro que tinha quatro bonecos de SOS Commandos: Cronos, Tony Turner, Willie Go e White Billy. Eu dizia que eram o Stallone, Danny Glover, Chuck Norris e o Schwarza, respectivamente, quando brincava com eles. Isso foi o mais próximo que cheguei de ver acontecer em carne e osso. Aprovado :)
Cotação: R$ 8,00. Não dou 10 porque a sessão foi interrompida duas vezes, em menos de 15 minutos e na segunda vez, foi justamente na hora em que a Giselle Itié aparecia pela primeira vez :(
PS: Assisti o filme na versão dublada. Ponto para a Álamo, que convocou Luiz Feier Motta para dublar Stallone e Garcia Jr. para dar voz a Schwarzenegger, sem falar em Leonardo Camillo, que conseguiu reproduzir um timbre de voz parecido com o do saudoso Newton DaMatta para dublar Bruce Willis.
(Texto originalmente publicado no blog 100Grana.com.br)
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>> Por Sérgio Fiore - repórter do Diário Online e editor do blog paraense 100Grana.
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