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Domingo, 05/12/2010, 03h16

Transferência de presos desorganiza crime em Belém

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Por trás de uma simples transferência de presidiários considerados de alta periculosidade para o Presídio Federal em Porto Velho (RO), que cumpriam pena no Centro de Recuperação Penitenciária do Pará (CRPP-3), em Americano, está um duro golpe no crime organizado no Pará.

Segundo o delegado federal Geraldo Araújo, secretário de Segurança Pública do Pará, a transferência e inclusão de presos em estabelecimentos penais federais de segurança máxima se faz necessária à medida que os detentos representem riscos mesmos que custodiados pela Susipe.

Foram transferidos por ordem judicial dez criminosos que se encontravam no Centro de Recuperação Penitenciária do Pará, em Americano, entre eles um dos chefes do narcotráfico na região Norte, o amazonense José Roberto Fernandes Barbosa, conhecido nos meios policiais como o “Barão do Pó”.

O grupo transferido para o presídio federal é composto também por assaltantes de banco e chefes de quadrilhas, como os irmãos Mário Antônio Andrade e Alan Pires de Andrade, conhecidos como os “Irmãos Metralha”, presos após assaltarem bancos no Pará, Maranhão, Tocantins e Goiás.

Dada à periculosidade do grupo, a transferência correu em segredo até a hora em que os agentes penitenciários foram escoltá-los até dois furgões do Sistema Penitenciário do Pará, com um forte aparato que envolveu as polícias Militar, Federal, Civil, Rodoviária Federal e Aeronáutica. Para o secretário Geraldo Araújo, as informações não se restringiram aos presos no Pará. “Vieram informações de dois Estados corroborando e robustecendo o nosso convencimento para solicitar à Justiça Federal e ao Departamento Penitenciário Federal a transferência desses criminosos”, afirmou.

O DIÁRIO teve acesso a informações privilegiadas, dando conta que o grupo que foi transferido estava se organizando para comandar de dentro da cadeia grandes assaltos a bancos na capital e no interior do Estado, utilizando-se de celulares para depois subsidiar quadrilhas que estão sendo expulsas do Sul do País. “É uma espécie de solidariedade entre os bandidos”, afirma um experiente policial que atua dentro da nova doutrina de inteligência da Polícia no Pará.

O esquema começou a ser desmontado na noite do dia 1º de dezembro. Agentes penitenciários, com o apoio do Comando de Missões Especiais e Batalhão de Choque da Polícia Militar, encontraram durante revista no Pavilhão IV Ala “A” do Centro de Recuperação Penitenciária do Pará, em Americano, onde estavam presos ligados à ação criminosa organizada, 18 aparelhos celulares com os respectivos chips.

Ação evitou sequestro de família de gerente de banco

Segundo as informações de Osmarino Sousa, da Assessoria de Segurança Institucional da Susipe, essa foi a segunda fase da “Operação Coati”, que na língua tupi-guarani significa “o que tem riscas no corpo”, para quebrar também o movimento de articulação das lideranças criminosas para o movimento de rebelião geral nas cadeias.

O pavilhão IV Ala “A” do Centro de Recuperação Penitenciária do Pará, em Americano, é o local onde estavam custodiados os criminosos ligados ao crime organizado e da mais alta periculosidade e que foram transferidos cortando um elo importante do esquema que vinha sendo idealizado pelos criminosos.

As informações partiam de dentro do Pavilhão IV para criminosos fora da cadeia e articulavam assaltos que foram evitados como um que seria realizado em uma agência bancária no interior do Pará, onde os criminosos pretendiam neste final de semana sequestrar a família o gerente, obrigando-o a fazer a retirada de todo o numerário do banco.

O segundo assalto organizado pelos criminosos que a Polícia Civil do Pará tinha conhecimento foi desmontado nesta quarta-feira (1º), pelo Grupo de Pronto Emprego, resultando na prisão de cinco elementos da quadrilha e dois bandidos mortos em confronto com a polícia.

Polícia agora quer colocar as mãos em “Dote”, foragido

Josicley Braga de Moura, o “Dote”, é hoje um dos criminosos mais procurados da região Norte, depois que a Justiça Federal do Amazonas decretou a sua prisão preventiva em maio deste ano, logo após ele ser colocado em liberdade por decisão do Superior Tribunal de Justiça em Brasília.

Na época, seus advogados alegaram o princípio da presunção de inocência, onde qualquer pessoa que responda a processo e ainda não tenha sido condenada pode responder em liberdade. No entanto, avaliam os juristas que há casos em que a prisão preventiva é um instrumento de garantia da ordem pública.

Josicley Braga de Moura, o “Dote”, é considerado pela Polícia Civil do Pará como um dos maiores traficantes de drogas e mandante de mais de duas dezenas de homicídios, conforme apuram inquéritos policiais instaurados com base em depoimentos de “soldados” de “Dote” presos pelo delegado Eder Mauro Barra.

Dois depoimentos foram importantes para a Polícia Civil desvendar uma gama de homicídios no bairro da Cabanagem, onde “Dote” teria organizado um exército de marginais, entre eles um identificado por “Elias” que está em liberdade, e “Papa”, que foi morto tão logo ganhou a liberdade e que em depoimento revelou os crimes a mando do seu patrão “Dote”.

As séries de mortes na Cabanagem, Una e Bengui, na Região Metropolitana, ocorreram no mesmo período em que Josicley Braga Moura esteve preso. Para a Polícia Civil, o fato de os traficantes e assaltantes estarem presos não quer dizer que eles não gerenciem os assaltos e crimes que ocorrem fora da cadeia.

Nos depoimentos prestados à polícia, “Dote” disse que iniciou suas atividades no tráfico aos 8 anos de idade e, aos 13, já estava comandando o tráfico no bairro da Cabanagem, onde, ao atingir a maior idade, elegeu como “gerentes” os marginais “Boca” e Alex Sandro Serafim Nogueira do Nascimento, o “Jacaré”.

Enquanto os gerentes comandavam o tráfico na Cabanagem, “Dote” viajava constantemente para Manaus para pegar droga com o traficante José Roberto Fernandes Barbosa, o “Barão Do Pó” (que foi transferido nesta semana para Porto Velho e apontado como um dos maiores distribuidores de pedra de óxi no Pará).

A soltura de “Dote” pela Justiça foi muito questionada e logo depois que ganhou a liberdade ele aproveitou uns dias de “relax” em uma pousada na praia de Algodoal, em Marapanim, e depois foi visto em uma cobertura de um prédio no bairro da Sacramenta até desaparecer do mapa tão logo saiu o novo pedido de prisão.

O DIÁRIO teve acesso ao pedido de prisão de Josicley Braga de Moura assinado por um juiz federal da Justiça do Amazonas, em processo que corre sob segredo de justiça e cujas polícias militar civil e federal agora tentam cumprir, mas que informações extraoficiais dão conta que o homem mais procurado do Norte do Brasil já teria fugido para o exterior. (Diário do Pará)

Comentários Recentes

  • Bena disse: Comentário postado em 06/12 Segunda-feira às 07:12h "É VERO Ivanildo, não tiveram o minmo de respeito com nosso delegado ,Eder mauro. ele arrisca a vida para prender um verme desse e a justica solta.tem ladrao de galinha que deve ta preso ate hj coitado nao tem dinheiro ne."
  • sassá disse: Comentário postado em 05/12 Domingo às 21:01h "Quero ver agora como é que a juíza Sara Castelo Branco vai fazer para liberar as visitas para o barão do pó."
  • luiz guilherme disse: Comentário postado em 05/12 Domingo às 19:22h "Como soltar um marginal deste calibre? Por que soltar? Mais uma vez a justiça brasileira deixa em dúvida sua indoneidade. O que será preciso para esta tal justiça funcionar no brasil?"
  • anonimo disse: Comentário postado em 05/12 Domingo às 13:40h "Como lembrança, o nome da juíza: Maria Edwirges Lobato."
  • Ivanildo Cintra disse: Comentário postado em 05/12 Domingo às 12:00h "Que beleza! a Policia prende e a justiça solta...se este Dote fosse um cidadão honesto, boi teria que voar prá ele ser solto, como foi traficante, foi logo liberado, resultado fugiu..esses tribunais de justiça no Brasil são comicos.Sinceramente será que não correu dinheiro nisto...eu já não acredito mais em nada."
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