Quinta-feira, 06/01/2011, 02h59
Em “1001 Livros para Ler Antes de Morrer” (Sextante, 2010), organizadopor Peter Boxal, o professor de literatura inglesa da Universidade de Sussex, na Inglaterra, assume uma tarefa hercúlea: reunir sugestões de algumas das obras de ficção de maior impacto da história em meio a uma avalanche de opções que não para de crescer.
Indo desde clássicos como “Dom Quixote”, de Cervantes passando por obras contemporâneas como “A Grande Arte”, de Rubem Fonseca, o livro se propõe ser não uma classificação definitiva das melhores obras, mas uma obra de referência para todos os que gostam de ler.
Mas como o velho ditado atesta, por mais científica ou acadêmica que uma lista tenha a pretensão de ser, ela passa por critérios subjetivos. Então um blog brasileiro, em vez de contestar o gosto pessoal de Peter Boxal e de seus colaboradores, criando um novo catálogo de livros preferidos, resolveu escrachar.
Criado em outubro de 2010, “1001 Livros para Morrer Antes de Ler” (morrienaoli.tumblr.com) se propõe selecionar as obras que, como o próprio blog afirma, deveriam permanecer inéditas. A crítica se restringe as capas esdrúxulas dos livros e seus títulos mais absurdos ainda. Foram quase 900 obras que passaram pelo crivo do tumblr, com pérolas como “A Psicologia do Corno” até a biografia do ex-BBB Jean Wyllys.
Apesar de soar um tanto cruel, a ideia nos pareceu mais sensata do que indicar outra pilha de livros para ler, tendo em vista que Boxal já teve o trabalho de oferecer um número considerável de dicas. Tanto que o DIÁRIO resolveu entrar na onda e listar mais alguns livros para a lista dos dispensáveis. Convidamos para nos ajudar na empreitada um escritor, um dono de livraria, um professor de literatura e um estudante de Letras. A intenção não é desestimular a leitura ou denegrir a imagem do autor A ou B. Apenas oferecer um pouco de bom humor - algo que deveria estar no topo da lista de qualquer um. Confira a seguir os depoimentos:
“Qualquer coisa do Paulo Coelho. Ele é um bom contador de histórias, mas escreve mal. Depois eu citaria a Biografia do Justin Bieber. O moleque nem nasceu propriamente. É o tipo de edição para ganhar dinheiro. Se uma adolescente começa a gostar de ler por causa do Justin Bieber, ok. Mas depois segue em frente, muda pra outra coisa porque não dá futuro.
Qualquer livro de arte sobre o artista brasileiro Tunga. O cara produz becos sem saída estéticos. Analise uma obra dele e me diga se consegue ser arrebatado. Qualquer uma delas o empurra contra uma caiada parede de referências, razões, emoções. Portanto, um livro de arte sobre o Tunga, não diz muita coisa. Tunga faz parte do grupo que o poeta Ferreira Gullar chama de Caninha 51, que produzem boas idéias apenas. Para completar os romance de José Sarney, o tempo já julgou sua obra.” Guaracy Brito Jr, escritor e jornalista.
Subestimar o leitor: um erro fatal
“Eu não leria auto-ajuda. Um bom livro de ficção é repleto de lições de vida. Você pode conhecer lugares, aprender novos valores, experimentar emoções e retirar estratégias para a vida, que nenhuma receita pronta em um livro de auto-ajuda poderia te proporcionar por completo. Quem tem o hábito da leitura, com certeza já encontrou frases, motes e situações que são muito mais edificantes do que esses manuais. Como proprietária de livraria, minha expectativa é plantar pra colher. Queremos formar leitores, privilegiar bons livros sem ceder a modas passageiras. Eu respeito o gosto de cada um, mas prefiro não dar destaque”. Deborah Miranda, diretora comercial e sócia-proprietária da locadora Fox Vídeo.
“Eu não recomendaria “O Estudante”, da Adelaide Carraro. É um livro de literatura infanto-juvenil terrível e que fez um sucesso terrível nas escolas. Conta a historia de um rapaz envolvido em drogas, ambientado no anos 80. A questão é como o livro é conduzido, que explora todos os clichês do gênero. Tanto que acaba pecando por louvar a repressão da ditadura militar como melhor alternativa para conter o tráfico e o crime organizado. Outro erro deste livro, que é comum entre os livros para essa faixa etária, é que ele subestimam o leitor. É didático em excesso, param a ação para dar uma explicação enorme. Boas obras não fazem isso. E o meu maior problema com está obra é justamente porque é voltada para um leitor em formação, se uma bomba dessas ci nas mãos de um leitor jovem, pode por tudo a perder” Marli Tereza Furtado, professora de Literatura Brasileira de graduação e mestrado na Universidade Federal do Pará.
“‘Jonas, o copromanta’, da Patrícia Melo. O livro me chamou atenção primeiro pelo fato da autora ser uma protegida do Rubens Fonseca, outro foi o assunto que é a escatologia. O livro era supostamente para ser um tratado sobre excrementos. A história segue a trajetória desse homem que passa a prever o futuro a partir das suas fezes. O livro até começa engraçadinho, mas depois fica caótico e confuso, que até cansa. Não estou criticando a autora, mas o livro. Tenho até interesse de ler outra coisa dela pra ver se tira essa má impressão. Mas se quiser ler alguma coisa da Patrícia Melo, não sugiro começar por esse. É uma m...” Viviane Dantas, mestranda em Letras. (Diário do Pará)
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