Quinta-feira, 27/01/2011, 08h43
Em sua primeira viagem oficial a São Paulo, a ministra da Cultura, Ana de Hollanda teve de driblar um tema delicado: a retirada do selo do Creative Commons do site do ministério.
O Creative Commons é um sistema de gestão de direitos autorais alternativo ao tradicional copyright.
O MinC havia aderido a esse sistema durante a gestão Lula, quando a pasta foi comandada pelo músico Gilberto Gil (2003-2008) e, em seguida, pelo sociólogo Juca Ferreira.
Na semana passada, a logomarca do Creative Commons sumiu da página do MinC. A retirada do selo gerou críticas de grupos ligados à cultura digital, que apontaram “retrocesso” na política implementada pela gestão anterior à de Ana, quando o MinC deu a partida num projeto de reforma da lei de direitos autorais.
Em breve conversa com jornalistas, enquanto acompanhava a reinauguração da Biblioteca Mário de Andrade, a ministra reiterou argumento utilizado em comunicado distribuído pelo ministério: “A Constituição permite que o autor libere seus direitos. Só achei inadequado que tivesse esse logo no site”, afirmou.
Mas esse mesmo logo havia sido colocado, por exemplo, no blog do Planalto. “Ele representava uma política de governo”, diz o sociólogo Sergio Amadeu, conhecido pela defesa do software livre.
A ministra demonstrou irritação quando a reportagem citou que, na internet, ela tem sido definida como “a ministra do Ecad [Escritório Central de Arrecadação de Direitos]”.
“A relação que tenho com o Ecad é a mesma que [Gilberto] Gil, Caetano [Veloso] e Chico [Buarque] têm. O Ecad é associação que representa os autores. Como compositora, sou ligada ao Ecad. Como ministra, não”, disse.
Da biblioteca, onde enfrentou muito calor e certo tumulto pelo excesso de visitantes, Ana seguiu para o Sesc Pinheiros, para assistir ao show da irmã Miúcha.
Miúcha dedicou o show “à cidade, a Tom Jobim, que faria aniversário hoje” e à sua mãe que, “se fosse viva, estaria fazendo 101 anos”.
Ana passou a tarde na casa do padrinho, Antonio Candido. “Fui pedir a bênção pra ele e ele me disse: “Minha filha, você precisa de toneladas de bênçãos.’”
Se de Candido ela ganhou toneladas de bênçãos, da escritora Lygia Fagundes Telles, também amiga de seu pai, Sergio Buarque de Hollanda (1902-1982), Ana recebeu um leque de bonequinhos, durante a inauguração da Mário de Andrade. (Diário do Pará/Folhapress)
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