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Pará
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Domingo, 06/02/2011, 03h26

Crianças esperam pela oportunidade de adoção

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Mais de 31 mil pais buscam filhos entre as 8 mil crianças que aguardam por adoções. Este quadro divulgado no final de janeiro pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) revelou, porém, que 37% dos pretendentes a pais exigem que filho seja da cor branca. Mais do que provocar protestos, essa última informação traz à tona um desejo que difere da realidade brasileira, onde as vítimas de abandono ou orfandade são majoritariamente crianças negras e pardas.

Em nosso Estado, o cadastro nacional de adoção do CNJ relata 40 crianças disponíveis para adoção. Destas, 60% são de cor parda. “Infelizmente, a maior parte dos pretendentes acredita que, se encontrarem a criança ideal, ou seja, uma menina de até 3 anos de idade, branca e de olhos claros, ela será perfeita e não terá problemas”, resumiu a juíza auxiliar da 1ª Vara da Infância e da Juventude da Comarca da Capital, Rubilene do Rosário.

A juíza conta que uma criança à disposição para adoção está numa situação de risco e deve ser duplamente amada. Os estrangeiros adotam sem descriminar, inclusive grupos de irmãos, o que poucos pretendentes aceitam: “Só este mês, foram adotadas cinco crianças negras e pardas, meninos e meninas, pertencentes a dois grupos de irmãos. Agora, a criança só é liberada para adoção internacional depois de esgotada todas as possibilidades de restituição familiar e adoção aqui no Brasil”, informou. No ano passado, 23 crianças foram adotadas por estrangeiros no Estado.

Em 2010, foi instituída a Lei nº 12.010 para melhorar os mecanismos da adoção no país e agilizar o processo de destituição da família biológica da criança. “O meu papel como juíza da vara de infância é ver o que é melhor para a criança, que sempre é o acolhimento familiar em detrimento da permanência num abrigo. O curso preparatório, que com a nova lei se tornou obrigatório para os pretendentes, esclarece sobre questões como o preconceito e a hereditariedade. Procura-se uma criança para uma família, mas na verdade é a criança que deve ganhar uma família”, pontuou a juíza Rubilene.

Mas o estudo “O Direito à Convivência Familiar e Comunitária: os abrigos para crianças e adolescentes no Brasil” (2004), formulado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), traz à tona outra questão: a maior parte das crianças que vivem nos espaços de acolhimento provisório (os abrigos) se encontra em processo de restituição junto à família original. Na época, 87% ainda possuíam vínculos com a família biológica e apenas 10,7% tinham condições judiciais de ser adotadas.

CASA VAZIA

Casados há seis anos e vivendo numa idílica casa azul avarandada, com uma frondosa mangueira no quintal, o eletricista Wellington Lima e a engenheira civil Edilma Belém achavam que ainda faltava alguma coisa: toda vez que chegavam à sua casa, tudo estava no lugar. “Sempre quisemos ter filhos biológicos e adotivos, então resolvemos adotar uma criança que tivesse dois anos ou mais”. Eles não possuíam muitas informações sobre o processo, mas, quando encontraram o Grupo de Estudos e Apoio à Adoção de Belém, Renascer, achou-se um caminho. O Renascer incentiva orienta e esclarece os pretendentes a pais sobre o assunto.

Perguntados se pensaram no preconceito que o filho sofreria, o casal responde com serenidade: “nós já sofremos com o preconceito pela nossa diferença de cor, quando casamos, e, mesmo quando informamos que íamos adotar uma criança, muitos foram contra, mas não desistimos”.

De acordo com a juíza Rubilene, os 154 pretendentes a pais adotivos no Pará preterem crianças negras, pardas ou índias, por acreditarem que, se houver problemas com elas, será por conta da herança genética. “Como podem ter certeza disso? Ter filhos é ter trabalho, é estar presente na vida, dar educação e, principalmente, amor. Não adianta adotar apenas para dizer que tem um filho e depois abandonar. Tem que se doar para ele. O processo de adoção não demora, o que se alonga é a escolha da criança”, pontuou.

Wellington não concorda totalmente. “Nós ficamos aguardando uma criança e, quando ela surgiu, estava no abrigo havia 6 meses e tinha 1 ano e 11 meses de idade. Tinha sido abandonada, mas o processo durou uma gestação - 9 meses - até a decisão judicial e a feitura da certidão”, explicou. Edilma relembra que, quando levaram a criança para casa, ela os encantou pela vivacidade e a curiosidade em querer desvendar o mundo: “Fomos construindo o amor dia a dia, ensinando a ela a individualidade, que desconhecia num ambiente comunitário. Quem quiser adotar tem que se informar, estudar e entender o que é ser pai”.

Olhando a foto que ilustra essa matéria, onde estão Wellington, Edilma e os filhos Nicole, 5 anos e Marcelo, 8 anos, dá para dizer qual das duas crianças é adotada e qual nasceu do ventre da mãe?

“Encontrei alguém que é a minha cara, já ela, muitos acham é a minha filha adotiva”, riu-se Edilma. Quando Nicole nasceu, Marcelo teve que se submeter a uma cirurgia renal, pois tinha uma disfunção desde o nascimento: “Ele ficou curado e demos graças a Deus que ele estava conosco”, disse a mãe.

Ela e o marido creem que o maior problema de boa parte dos pretendentes a pais é que se preocupam demais com que as outras pessoas vão pensar. “Fica na cabeça deles que muitos vão olhar e não os reconhecer como pais de seus filhos. Conversamos com o Marcelo e mostramos que ele não deve esconder que é filho adotivo, pois é tão amado quanto a Nicole. Dei a ele um álbum que fiz contando toda a sua história”, ensinou Wellington. (Diário do Pará)

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