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Sexta-feira, 23/12/2011, 06h55

Serra Pelada voltará a produzir ouro em 2012

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Quase 20 anos depois de o governo fechar aquela que foi a maior mina de ouro a céu aberto do mundo, a exploração de Serra Pelada, no Pará, será agora toda mecanizada. A empresa de mineração canadense Colossus Minerals Inc., associada à Cooperativa de Mineração dos Garimpeiros de Serra Pelada (Coomigasp), conquistou a permissão para explorar a área.

Os primeiros levantamentos feitos em uma parte do terreno de 100 hectares com permissão para ser explorada indicou a presença de, pelo menos, 50 toneladas do metal. Esse número deve ser atualizado pela empresa em janeiro, e a expectativa dos ex-garimpeiros é que o volume seja bem maior, já que a própria mineradora informou que o potencial de novas descobertas na propriedade é elevado.

"É basicamente ouro amarelo, paládio - que é um ouro branco -, prata e platina. Sendo que a incidência menor é de platina, mas, em compensação, o preço é dobrado em relação ao preço do ouro", explicou Antônio Ferreira Milhomem, diretor da cooperativa.

A antiga mina, que na década de 1980, foi alvo da maior corrida a metais preciosos da história da

América Latina, chegou a ser conhecida como “formigueiro humano”, com mais de 80 mil garimpeiros trabalhando ao mesmo tempo. O ouro retirado deveria ser vendido exclusivamente à Caixa Econômica Federal. Na época, foram extraídas cerca de 40 toneladas do metal precioso, sem contar o que foi vendido clandestinamente. O grande buraco que os trabalhadores cavaram é hoje um lago com mais de 100 metros de profundidade.

Até a entrada em operação, a multinacional canadense terá investido R$ 320 milhões na construção da mina subterrânea, batizada de Nova Serra Pelada. O lucro, no entanto, será contado em bilhões de reais. Segundo o acordo feito entre a Colossus e a Coomigasp, que levou à criação da Serra Pelada Companhia de Desenvolvimento Mineral (SPCDM), 25% do lucro serão repartidos com os mais de 38 mil ex-garimpeiros da região associados à cooperativa e o restante ficará com a multinacional.

Para esses trabalhadores, que depois do fechamento da mina, há duas décadas, passaram a viver de bicos ou da renda que conseguiram com a venda do ouro, a retomada da produção em grande escala em Serra Pelada é a esperança de uma vida mais tranquila financeiramente. Pouquíssimos conseguiram enriquecer na época e, entre eles, raros souberam investir o que ganharam. Agora, organizados em cooperativa, esperam ganhar o suficiente para viver melhor.

Esperança de ex-garimpeiros

Quando o garimpo de Serra Pelada foi fechado definitivamente pelo governo federal em 1992, milhares de garimpeiros ficaram sem rumo. A maioria voltou para as suas cidades de origem, outros, chamados de “teimosos”, continuaram na região, vivendo de bicos ou do que tinham juntado. Todos, porém, com a esperança de um dia se beneficiar do ouro que ainda permanece inexplorado no subsolo. No ano que vem, duas décadas depois, a esperança vai se tornar realidade para quase 40 mil deles que, associados a uma cooperativa de garimpeiros, terão participação de 25% no lucro da mineração que começará.

Alguns garimpeiros ainda não sabem como acessarão a parte a que têm direito. O mais provável é que ações equivalentes a 25% dos lucros do que será extraído sejam repartidas igualmente entre os trabalhadores, mas para isso é necessário que a multinacional apresente o último levantamento do potencial de exploração, o que deve ocorrer em janeiro. A certeza que ninguém esconde, no entanto, é que ainda há muito ouro a ser retirado, e dessa vez sem os riscos que enfrentaram na década de 1980, quando dezenas morreram na mina devido às condições precárias de trabalho

“Hoje, é uma expectativa diferente do passado, mas melhor, porque no passado aqui trabalhavam milhares de garimpeiros, mas quem pegou ouro mesmo, em abundância, não chegou a 0,5%. Mas, atualmente, a lei do cooperativismo diz que são direitos iguais”, disse José Sobrinho, de 71 anos, um dos poucos “teimosos” que permaneceram em Serra Pelada. 

José Rodrigues, mais conhecido como Bola Sete, 81 anos, diz que cerca de 20 mil ex-garimpeiros já passaram dos 70 anos de idade. O veterano considera que seria melhor se os companheiros pudessem optar por receber sua parte em dinheiro, em vez de ações. “Velho quer o quê? Remédio para colesterol, pressão alta, diabetes, dor nos rins, no fígado, na coluna. O ideal seria a participação nossa em dinheiro. Mas nós vamos acatar porque, na lei do cooperativismo, a maioria decide”, disse.

Para Bola Sete, a retomada da exploração de ouro já deu uma nova cara à localidade e pode melhorar a vida de quem ficou. “Temos hoje, aqui dentro, mais de 20 empresas terceirizadas trabalhando para a mina. Temos dez açougues funcionando. Dez!”, repetiu entusiasmado.

Outros aspectos da Vila de Serra Pelada, no entanto, que chegou a abrigar 100 mil pessoas (hoje abriga apenas 6 mil moradores), permanecem como antes. Para chegar até lá, é preciso percorrer pelo menos 15 quilômetros de estrada de terra, e não há previsão para a chegada do asfalto. No único posto de gasolina da comunidade, o telhado é de palha e a bomba ainda é movida a manivela, como no início do século passado. As casas também são as mesmas de 20 anos atrás, de tábuas. Na entrada de algumas moradias, ainda estão as velhas placas indicando dormitórios.

"MAIS JUÍZO"

O vice-presidente da Cooperativa de Mineração dos Garimpeiros de Serra Pelada (Coomigasp), José Sobrinho, acredita que os trabalhadores terão "mais juízo" do que tiveram há 20 anos, quando o garimpo manual foi fechado.

“Às vezes, você apanha para aprender a bater. Quem pegou muito ouro naquela época, se pegasse hoje, talvez não fizesse as besteiras feitas por muitos. Pegaram muito ouro e ficaram pobres. Brincaram demais e se esqueceram da vida. Hoje, eu acho que esse dinheiro [da participação nos lucros da mineração automatizada], que vai sair de 2012 para a frente, os garimpeiros vão pegar a quantia de direito e ter mais juízo, saber empregar melhor”, disse Sobrinho, de 71 anos, que está em Serra Pelada desde o início da febre do ouro da década de 1980 e a quem os colegas atribuem a retirada de centenas de quilos.

Há, no entanto, quem ache o contrário. É o caso de José Rodrigues, 81 anos, conhecido na Vila de Serra Pelada, distrito do município de Curionópolis (PA), como Bola Sete. Ele acredita que a maioria dos garimpeiros “não teve preparação para lidar com o dinheiro” e acredita que “as mesmas maluquices que garimpeiro fez no passado, de lavar carro com água mineral, vão acontecer de novo, porque dinheiro é bicho danado”.

Os dois, entre os mais experientes ex-garimpeiros, têm vários exemplos de que, na mina de Serra Pelada, a inteligência para poupar foi muito mais importante do que a quantidade de ouro retirada. “Teve garimpeiro que ficou sem nada. Conheço gente que pegou 1.000 quilos de ouro, mas achou que não ia acabar e jogou fora [gastou], e pessoas que pegaram 50 quilos, 20 quilos, aplicaram tudo e hoje estão bem de vida”, conta Bola Sete.

Sobrinho disse que um companheiro chegou a tirar 3 toneladas de ouro e ficou pobre. Ele próprio - que vive em uma casa de tábuas e só conseguiu manter a família e garantir os estudos dos filhos com o que obteve na época do garimpo e com os investimentos que fez em poupança e imóveis - disse que gastou muito tentando pegar mais ouro.

“Eu tirei muito ouro. A quantidade eu nem gosto de falar, mas tive muita sorte mesmo. Só que, aqui, a gente tirava muito ouro, mas investia muito de novo, tentando pegar mais. Se você tem uma tonelada, você quer pegar duas, né?”, explicou Sobrinho, dando como exemplo de ambição a própria trajetória de vida. Foi essa ambição que moveu todos os milhares de garimpeiros que tiraram mais de 40 toneladas de ouro de Serra Pelada duas décadas atrás.

Entre as excentricidades de quem enriqueceu no local está a de um garimpeiro que fretou um avião com capacidade para mais de 100 passageiros para ir de Belém ao Rio de Janeiro acompanhado apenas do piloto, do copiloto e de uma aeromoça. Tudo por não gostar do atendimento que recebeu da funcionária de uma companhia aérea comercial. Segundo ele, a atendente o tratou mal por causa das roupas simples que usava.

(Agência Brasil)

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