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Segunda-feira, 26/12/2011, 02h50

O lixo que vira arte

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Seja frito, cozido ou grelhado, a maioria dos peixes precisam passar por um processo de preparação antes de fazer parte das refeições, como a retirada das escamas, dos olhos e das demais partes indesejadas. Entretanto, qual o destino que você dá para o chamado “excesso do peixe”? Com a proposta de diminuir os impactos ambientais e agregar valor aos resíduos do pescado, o curso de Engenharia de Pesca do Instituto Socioambiental e Recursos Hídricos, da Universidade Federal Rural da Amazônia (ISARH/UFRA), sob a coordenação da professora Jacqueline Abrunhosa, desenvolveu o projeto Pescarte.

O objetivo é confeccionar bijuterias a partir das escamas de peixes e sementes, como o açaí, contribuindo para a geração de renda nas comunidades pesqueiras do Estado.

Segundo a coordenadora do projeto, as condições de trabalho dos pescadores e da prática de beneficiamento e comercialização dos produtos de pesca, na maioria das vezes realizada por sua família, se restringe apenas no processo de captura, descarne e venda. “Não há um aproveitamento do pescado por inteiro, trazendo grandes problemas para a comunidade. Além de representar um grande volume de lixo orgânico potencialmente poluidor ao meio ambiente, também evidencia o desperdício de seu potencial econômico”, afirma a professora.

Uma das alternativas para evitar tais condições, segundo Jacqueline, é o reaproveitamento desses resíduos. “O couro ou as escamas do peixe podem originar lindos produtos artesanais, como bolsas, sapatos, roupas e acessórios, trazendo uma oportunidade de negócio de elevado conteúdo socioeconômico para os pescadores artesanais e aquicultores familiares”, diz.

COMUNIDADES

O Pescarte nasce, a priori, para atender as necessidades das mulheres das comunidades pesqueiras do litoral paraense, com a ideia de ampliar as oportunidades da inserção feminina nessas comunidades, visto que o espaço destinado às mulheres se limitava aos afazeres do lar. Com apenas quatro meses de atividade, o projeto já qualificou dezenas de mulheres do Assentamento Abril Vermelho, no município de Santa Bárbara.

“Vamos realizar o cadastramento das pessoas nas comunidades-alvo do projeto, que estão principalmente na costa litorânea do Estado. As palestras, oficinas e cursos de capacitação já estão acontecendo e começando a gerar renda, não apenas para o interior, como também para mulheres da capital”, afirma Jacqueline.

O próximo passo é a construção e implantação de um núcleo de capacitação profissional em transformação e beneficiamento do pescado, para que as comunidades pesqueiras do entorno de Belém possam incrementar suas atividades neste setor. “Temos uma boa perspectiva para 2012. Algumas parcerias estão sendo fechadas, com a finalidade de expandir o projeto, utilizando outras matérias- primas para reaproveitamento, como couros e sementes”, enfatiza a coordenadora. A professora informa que os cursos e oficinas não são apenas para quem vive nas comunidades pesqueiras.

(Diário do Pará)

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