Sábado, 21/01/2012, 12h14
Em 1986, o cineasta mais neurótico de todos reuniu as atrizes Mia Farrow (sua esposa na época), Barbara Hershey e Diane Wiest, além do ator Michael Caine – o bendito fruto no roteiro – para contar a história ‘bergmaniana’ de três irmãs em crise com suas carreiras, seus amores e suas existências. Todo esse drama, com pitadas cômicas, ironia e humanismo poderá ser conferido hoje no filme ""Hannah e suas irmãs"", em cartaz na Sessão Cult do Cine Líbero Luxardo.
Woody Allen nos apresenta, durante o almoço do Dia de Ação de Graças a família de Hannah (Mia), uma bem sucedida atriz, bem casada e em bem melhor posição do que as irmãs, Holly (Dianne) e Lee (Barbara). Hannah parece – e quer crer – que tem tanto controle de tudo, que acaba tomando conta da vida das irmãs, servindo como alicerce para elas. O mundo dela começa a desabar quando seu marido, Elliot (Caine), se descobre apaixonado por Lee.
Em paralelo, Holly parece não resistir as provações que surgem, principalmente ao casamento com o controlador Frederick (Max Von Sydow, um dos atores preferidos de Bergman), e vai cedendo aos apelos do álcool. Ela começa a se relacionar com Mickey (Woody Allen), ex-marido de Hannah e um renomado roteirista de TV.
Mesmo que a parte do conflito entre as três irmãs, é o judeu, paranóico, depressivo, engraçado e auto-suficiente personagem de si próprio, que comprova docemente a necessidade do amor e de encontrar Deus para ser feliz.
A cena em que Mickey – ele devia ter um filme só pra si, mas na verdade é uma cruza de Alvy (de Noivo Neurótico, Noiva Nervosa) e Isaac (Manhattan) mais humanamente evoluída – sai do consultório médico, achando que tem uma doença terminal, aí se acalma lembrando que está em Nova York, cercado por coisas e pessoas familiares, para depois se desesperar novamente, é genial. Voltando a Hannah e suas irmãs, a passagem de dois anos durante a narrativa serve para apaziguar paixões, e tornar a história mais realista e singela, de forma que a nossa própria vida se encaminha as vezes. O amor, o casamento, a realização, o fracasso, a moral, a família, a música – sim, tem muito jazz e referências a ele aqui – tornam esse filme um dos mais autênticos e bem acabados de Woody Allen. Foi vencedor dos Oscar de roteiro, ator (Caine) e atriz coadjuvantes (Dianne) além de candidato a diretor, direção de arte, edição e filme. (Diário do Pará)
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