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Mães querem criar o Dia Mundial de Aleitamento

Pará
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Sábado, 04/02/2012, 06h01

Equilibrando a vida na ponta da faca

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Nas mãos calejadas, as marcas de uma rotina intensa. A pele queimada e os equipamentos gastos são vestígios do dia de trabalho que, além de desgastante, não discrimina a meteorologia. Sob sol ou chuva, os cerca de 40 segundos de sinal fechado são o tempo que os artistas de rua têm para fazer suas piruetas e malabarismos para convencer quem está atrás do volante a colaborar com uma moeda.

A mochila vem carregada com os instrumentos de trabalho. São bolas, bastões, clavas, terçados e às vezes um monociclo, trazidos ‘no lombo’ dos bairros periféricos ao destino final, o internacionalmente conhecido (pelo menos entre os artistas de rua do mundo) semáforo do Hangar Centro de Convenções. Lá os malabaristas se reúnem e revezam as apresentações para um público que, algumas vezes, não está esperando o entretenimento em meio ao estresse do dia a dia.

O objetivo é impressionar o público, conta Lincoln Monteiro, 23 anos. “O tempo é curto, então a gente tem que fazer o melhor pra que a pessoa do carro acredite que a gente merece alguma gorjeta”, diz o malabarista, que há seis anos largou tudo para viver da arte urbana.

Lincoln declara que a paixão pelo malabar começou como um flerte, em uma festa ‘rave’, onde o então garoto de 17 anos viu uma forma de superar a vergonha. “Eu era muito acanhado, morria de vergonha de tudo. Quando comecei nos semáforos a minha ideia era superar isso”, relembra Lincoln, que depois de muito treino transformou os números em apresentações nos sinais de trânsito, para levantar dinheiro. Mas os preconceitos acompanharam a trajetória do malabarista. “Já tive amigos que me viram por aqui e se mostraram constrangidos com o que eu faço, mas eu não ligo” declara.

Foi através da arte que o rapaz conseguiu realizar o antigo sonho de viajar, e conta que já conheceu o Nordeste e Sul do país, além de boa parte da América do Sul. “Sempre tive esse sonho, de conhecer lugares, culturas, pessoas, e pelos malabares eu consegui muita coisa” garante Lincoln.

Entre as conquistas, ele fala com orgulho da esposa Conye, 24, uma chilena que conheceu em São Luís, no Maranhão, e do filho de um ano que teve com ela. Graças aos malabares.

“Mas sempre rola preconceito, as pessoas acham que a gente quer dinheiro pra usar droga, que tá no sinal pra roubar. Não é assim, a gente tem nossas responsabilidades também, e gosta do que faz”, dispara Ney de Oliveira, 27, estudante e também malabarista. No semáforo da avenida Tavares Bastos, no bairro do Souza, ele faz do meio-fio o ponto de apoio para seus miniespetáculos.

Os terçados voam como se fossem palitos, leves nas mãos do rapaz. A velocidade aumenta e os rostos nas janelas do ônibus e carros, assim como de pedestres que atravessam a rua se viram para olhar, e se contraem em tom de apreensão e êxtase. Em meio a um número, ele quase deixa uma das armas cair, mas mostra sua agilidade ao aparar a espada, que cai delicadamente sobre seu chapéu. Alguns aplausos ecoam e ele segue entre os carros, fazendo do mesmo chapéu o depósito das gorjetas.

Com o dinheiro que ganha, Ney diz ajudar a mãe, com quem mora em Marituba. “Ela entende que isso não é só um passatempo, é minha filosofia de vida e aqui eu não faço mal a ninguém” afirma o rapaz.

PARA O FUTURO

“Eu uni o útil ao agradável, assim posso me ajudar e também a minha família” revela Fabrício Barbosa, 21. Apesar de já ter sido atropelado durante um ‘turno’ no semáforo e ter ficado em coma por três dias, Fabrício diz que a volta para o trabalho foi inevitável. “Passei um ano longe, e nessa época tivemos momentos muito difíceis em casa, vivíamos de doações”, recorda. O rapaz cursa Serviço Social em uma faculdade privada e é o pilar da casa e sustenta com mais um irmão, que mora em Macapá, a família composta pela mãe, que não pode trabalhar por conta de uma doença, e mais três irmãos mais novos, que ainda estudam.

“Por causa disso eu comecei a fazer um bico com um cara perto da minha casa. A minha rotina começa quatro da manhã, quando eu acordo pra estudar. Depois vou pra oficina desse vizinho. De tarde, vou pro sinal, e de noite faço faculdade”, enumera Fabrício Barbosa, que faz o verdadeiro malabarismo para garantir o sustento da família.

Mas nem só de arte se vive. O malabarista tem sonhos, como qualquer jovem da sua idade. “Agora tô estudando para um concurso público, e quero terminar minha faculdade, que pago com o dinheiro do sinal. Sempre insisto para que meus irmãos sigam estudando, acho que é o caminho pra gente ter um futuro melhor”, anseia. (Diário do Pará)

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