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Domingo, 05/02/2012, 13h30

Ato alerta população sobre depredação patrimonial

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No último dia 28 de janeiro, mais um patrimônio histórico de Belém foi alvo de vandalismo. Trata-se do Palacete Vitor Maria da Silva, localizado na Praça Coaracy Nunes, mais conhecida como Praça Ferro de Engomar, na fronteira entre os bairros da Campina e Batista Campos.

O ocorrido foi fator decisivo para que as instituições Asapam (Associação dos Agentes de Patrimônio da Amazônia), Associação Fotoativa e Instituto Peabiru se reunissem para tomar uma iniciativa diante do quadro de degradação desgorvenada do patrimônio público do Estado. A reunião culminou no projeto Olhos do Patrimônio, que realiza ato público hoje, às 9h30, na Praça Ferro de Engomar (Arcipreste com Presidente Pernambuco). “Cada uma das associações tinha esse ponto em comum, de trabalhar o patrimônio local. Por conta desse caso que teve uma grande repercussão, nos reunimos para enfim tomar uma iniciativa”, relata Anna Raquel Castro, da diretoria de comunicação da Asapam.

Este não é o primeiro ato público realizado pela sociedade civil organizada. Na história recente houveoutros, sendo que o mais significativo foi o manifesto pelo Central Hotel. “Há outras iniciativas, mas o Olhos do Patrimônio tem a predisposição de ser um movimento maior, no Estado e na cidade”, diz o historiador Michel Pinho.

O primeiro objetivo da movimentação política é exigir do Estado e do Município de Belém uma agenda mínima em relação ao Patrimônio Histórico do Pará e da capital, que inclua a criminalização dos culpados. Outro objetivo é iniciar uma campanha ostensiva através das mídias sociais e imprensa, motivando a população a denunciar roubos, depredações ou descaso com os prédios, praças e monumentos da capital e do interior.



PALACETE

O Palacete Vitor Maria da Silva encontra-se em estado deplorável de danificacão. Quase toda serraria do prédio foi roubada, incluindo detalhes de ferro e enfeites. O teto está completamente danificado. Existem informações ainda de um piano perdido e de painéis danificados. No ano passado, o prédio foi adquirido por uma loja de departamentos de Belém, que até o presente momento não interferiu em sua estrutura.

Vitor Maria da Silva foi um importante engenheiro do século XIX, responsável por obras públicas no Pará do final do século XIX até o início do século XX. Entre suas obras estão a reforma do Palácio de governo Lauro Sodré (hoje, Museu Histórico do Estado do Pará) e a reforma do Teatro da Paz, que inclusive leva suas iniciais na construção. Para o palacete, onde residiu toda sua família, o engenheiro importou da fábrica de azulejos A. Arnoux e Boulanger & Cie oitos belíssimos painéis, os quais encontram-se atualmente depredados pela ação dos vândalos.

No início dos anos oitenta, a Praça Coaracy Nunes, popularmente conhecida como Praça Ferro de Engomar, foi testemunha de reuniões históricas entre grupos de teatro, jornalistas e fotógrafos. Lá ficava o famoso Bar 3x4, além de ter sido berço da fundação da Fotoativa, associação ligada a fotografia e cidadania. “A Praça Coaracy Nunes abriga um importante casario, e é ponto crucial pra entender o Estado de Belém, pois se encontra entre dois pontos estratégicos: o Largo da Trindade e a Praça Batista Campos”, explica Michel.



DENÚNCIAS

O projeto “Olhos do Patrimônio” já começou a gerar denúncias de cidadãos, especialmente através de redes sociais. Uma delas refere-se ao Palacete Tavares, em Icoaraci. A construção pertence à Prefeitura Municipal de Belém, e segundo denúncias, está “caindo aos pedaços”, literalmente. Outro patrimônio denunciado foi o prédio do Banco Bradesco, localizado na esquina da Avenida Nazaré com a Travessa Quintino Bocaíuva. Os denunciadores alertam para o roubo dos azulejos do prédio. Segundo mais denúncias, o antigo prédio da Fiepa, na Travessa Rui Barbosa, encontra-se parcialmente destruído pra a construção de um estacionamento. Na última sexta-feira (3), a Asapam recebeu uma denúncia de que o Colégio Antônio Lemos, em Santa Izabel, estaria em grave estado de depredação.“O objetivo do movimento é conscientizar a sociedade, porque nós, como cidadãos, também temos esse dever de fiscalizar e fazer denúncias”, diz Anna Raquel.

Após o ato público, o projeto Olhos do Patrimônio pretende continuar com um fórum permanente de fiscalização, motivando a população a denunciar o descaso com o patrimônio através das mídias sociais e órgãos publicos. Um dos objetivos é criar uma plataforma virtual onde as pessoas possam depositar registros e denúncias de prédios e patrimônios em risco, e começar esse movimento pela internet, onde as pessoas possam reconhecer o Olhos do Patrimônio como um agente interlocutor entre os órgãos competentes e a sociedade. (Diário do Pará)

 

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