Terça-feira, 07/02/2012, 03h55
Elas estão sempre lá, ao final de cada compra em caixas de supermercados, farmácias, padarias e lojas. Criadas a partir da invenção do plástico, em 1862, as sacolas plásticas deixaram de ser um bem de utilidade indispensável, para, atualmente, ter seu uso questionado em cerca de 13 capitais brasileiras que já aprovaram leis que restringem sua utilização em comércios. Em Belém, o uso de sacolas plásticas ainda é comum, porém, duas leis já preveem sua substituição por sacolas alternativas.
Sancionada pela Prefeitura Municipal de Belém (PMB) em agosto de 2011, a Lei de nº 8.862/2011 institui a disponibilização de sacolas ecológicas em substituição das sacolas plásticas convencionais com o prazo de doze meses para entrar em vigor a partir de sua publicação. No âmbito Estadual, uma lei determina a substituição de sacolas plásticas derivadas do petróleo pelas bio-oxidegradáveis que levam menos tempo para se dissolver em minúsculas partículas. De acordo com a lei estadual, o prazo para a adequação de comércios paraenses é gradativa, devendo ser completa em cinco anos após sua publicação em 2011.
Ciente das duas leis que tratam do assunto hoje no Estado, a coordenadora da ONG Noolhar, Patrícia Gonçalves, vê falhas nos projetos que considera atrasados em relação a outros já implantados nos demais estados brasileiros. “Nenhuma das leis aqui sofreu impacto na nossa sociedade”, explica. “Nenhuma das leis veio acompanhada de educação ambiental. O grande problema é o consumidor achar que porque a sacola é bio-oxidegradável, ele pode usar exageradamente”.
Segundo ela, apesar de se decompor mais rápido que as sacolas derivadas do petróleo, não há informações dos prejuízos que as bio-oxidegradáveis podem causar também ao meio ambiente, o que não as transformam na melhor solução para os impactos gerados pelo uso exagerado de plástico. “Não sabemos o impacto que esse tanto de sacola ‘bio-oxi’ pode causar porque ele não desaparece, apenas granula. A ‘oxi-bio’ não é a solução do problema”, afirma. “Não existe nenhuma lei que obrigue os supermercados e comércios a dar sacolas plásticas aos clientes. É preciso haver uma campanha massiva para o consumidor entender para onde vai a sacolinha que ele joga fora. O exagero é que é o problema”.
Para o presidente da Associação Paraense de Supermercados (Aspas), Fernando Yamada, o cenário é mais positivo. Segundo ele, Belém passa agora por um período de transição que caminha para a redução cada vez maior do consumo de sacolas plásticas. “Estamos em transição para as sacolas retornáveis e para as biodegradáveis até chegar em um estágio mais maduro”, acredita. “A lei municipal exige que todas as sacolas sejam biodegradáveis, mas não diz que é para parar de usar”.
Para ele, atualmente, a maioria dos supermercados paraenses disponibilizam sacolas alternativas para seus clientes. “Temos todas as alternativas de sacolas ecológicas: as biodegradáveis, caixas de papelão, as oxi-biodegradáveis...”, afirma. “A gente já diminuiu o uso. Só de colocar as sacolas retornáveis à disposição dos clientes, já houve uma redução significativa”. (Diário do Pará)
EM NÚMEROS
80% das sacolas plásticas consumidas no Brasil são reutilizadas como sacos de lixo e seguem, portanto, para lixões e aterros.
15% Essa foi a redução do uso de sacolas plásticas após a introdução de sacolas retornáveis em supermercados de Belém, segundo a Aspas.
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