Terça-feira, 07/02/2012, 05h30

Um emaranhado de fios. É tudo o que se vê ao olhar para o céu no centro comercial da grande Belém. São cabos ligados diretamente à rede de distribuição elétrica, cujo destino é quase sempre o mesmo: as barracas dos vendedores ambulantes, onde estão ligados os mais diversos tipos de equipamentos elétricos, sem o mínimo respeito às normas técnicas. “Eles ligam o fio direto na fiação elétrica ou improvisam uma espécie de tomada no poste. Fica uma bagunça”, denuncia o vigilante Alfredo Costa.
Segundo estimativas da Rede Celpa, em todo o Pará existem cerca de 300 mil ligações clandestinas, 180 mil apenas na Região Metropolitana, e três mil somente entre os vendedores ambulantes. Um problema cujos prejuízos são velhos conhecidos: sobrecargas que podem levar à interrupção no fornecimento, oscilações que queimam eletrodomésticos e acidentes, muitas vezes, fatais.
Na rua João Alfredo, é preciso estar atento para não dar de encontro com os “gatos”. “A gente fica todo tempo olhando para cima e para os pés. Dá medo, porque o fio pode cair a qualquer momento ou a gente pode tropeçar com esses que estão no chão. Quando chove é pior, periga dar choque”, diz dona Raimunda Carvalho.
A angústia da aposentada é compreensível. Extensões improvisadas cortam o chão de pedra de uma das mais tradicionais ruas do comércio de Belém e dos postes brotam infinitas, e expostas, caixas de fios, de onde partem os cabos que forçam adultos mais altos a se curvarem para não encostar neles. Perigos que não param por aí.
“Aqui é tudo no improviso, são muitos fios ligados em um só, que não aguenta e explode. É fogo para todo lado, come o fio todinho, mas no outro dia, eles colocam outro. Um perigo para a gente que trabalha perto. Tem que correr”, acusa dona Norma Maria Gomes, que trabalha na área há 50 anos e já perdeu as contas de quantos acidentes viu acontecer.
Para o gerente do departamento de recuperação de energia da Rede Celpa, Carlos Couto, esse tipo de furto de energia se iguala ao residencial, na medida em que apresenta os mesmos riscos e consequências. Nas áreas de comércio, o ambulante só necessita de um “ganchinho” metalizado para cometer a infração em qualquer ponto que adote como seu, o que dificulta o combate que hoje é feito por 100 equipes, nas ruas diariamente.
“Furto de energia é crime. Mesmo assim, o nosso foco é a segurança porque essas ligações clandestinas causam muitos acidentes. A dificuldade na fiscalização é que muitas vezes os ambulantes fazem essas ligações mais de uma vez por dia, potencializando os riscos de curto-circuitos, choques elétricos e desligamentos de transformadores”, explica.
Para Couto, os custos de um ambulante legalizado são bem inferiores ao do que optam por um “gato”. “Pagar para alguém realizar essas ligações várias vezes e ainda correr o risco de perder seu equipamento de trabalho é muito mais caro que se cadastrar junto à Rede Celpa”, garante.
(Diário do Pará)
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