Terça-feira, 07/02/2012, 08h03
O dia de ontem foi bastante movimentado na Divisão de Investigações e Operações Especiais (Dioe). Mais de 100 pessoas procuraram a sede para realizar uma ocorrência contra a empresa Eletromil que ofertava serviços de compra premiada para milhares de pessoas. A empresa aplicou a fraude em vários locais onde havia filiais no Pará. Sua sede fica localizada no Estado do Maranhão.
De acordo com o delegado Neyvaldo Silva, titular da Dioe, os proprietários da empresa, Eduardo Fernandes Facunde, a sua esposa e sócia Maria Sailene Fernandes Facunde e o filho do casal Eduardo Fernandes Facunde Junior, tiveram a prisão preventiva decretada ontem, após o inquérito referente à loja localizada na Cidade Nova, em Ananindeua, ter sido aberta na última sexta-feira, 3.
“Conseguimos identificá-los através do nosso banco de dados. E agora queremos realizar a prisão dos acusados”, comentou o delegado Neyvaldo. Ele ainda afirmou que deverá pedir apoio da Polícia Civil do Estado do Maranhão. “Como a empresa tem sua matriz no Maranhão, vamos pedir para que a polícia de lá nos ajude nas buscas”, complementou o delegado.
OCORRÊNCIA
Na sala de espera para registro de ocorrência da Dioe, todos os bancos eram ocupados por vítimas do golpe da Eletromil. O marceneiro Alzari Feitosa Alves, de 43 anos, contou que pagava seis boletos de duas motos. “Desde 2010 eu comecei a pagar os boletos. Os valores variavam entre R$ 210 e R$ 260. Vi isso como um investimento, pois no fim ia pegar o dinheiro para fazer outras coisas”. O investimento total de Alzari chegou a um valor de R$ 9.100,00.
O marceneiro contou que não desconfiava que houvesse caído em um golpe. “Só fui perceber que havia algo de errado, quando o tratamento na loja começou a mudar. Ia ao local para pagar e já não via toda aquela receptividade”, contou ele, que só parou de pagar os boletos em novembro do ano passado. A previsão para retirada do valor que já havia sido aplicado era para agosto de 2013 e 2014.
Assim como ele, o cabeleireiro Eldo Gomes do Vale, de 25 anos, comprou 12 carnes para três motos, todos no valor de R$ 100,00 as mensalidades. “Como todos aqui resolvemos investir nessa compra premiada. Queríamos no futuro ter um valor para arrecadar. Mas acabamos nos metendo em coisa errada”, comentou ele. Eldo só ficou sabendo que a empresa havia fechado através dos noticiários. “Até o mês passado ainda paguei meus boletos. Não fui informado de que a loja ia fechar”. O valor do investimento de Eldo chegou a R$ 12 mil.
Todos que procuraram a Dioe têm apenas um intuito: o de reaver o dinheiro que foi investido. O delegado Neyvaldo, da Dioe, pede para que outras vítimas, que ainda não tenham comparecido na Divisão, apareçam para que novos inquéritos sejam abertos contra os fraudadores.
COMO FUNCIONAVA
O esquema executado funcionava da seguinte forma: era formado um grupo com 48 pessoas, onde mensalmente uma pessoa desse grupo era sor-
teada para receber o prêmio e assim ter a sua dívida quitada. Depois do pagamento de algumas parcelas - às vezes apenas uma prestação - o sorteado adquiria uma moto, uma TV tela plana.
Como o sorteado não precisava quitar a sua dívida, esse valor era quitado com as prestações pagas pelos novos clientes que a Eletromil adquiria. A modalidade de compra premiada oferecida pela empresa, na
realidade, escondia um intricado esquema de pirâmide.
Quando faltaram pessoas para participar do esquema, a bolha estourou. Mesmo os sorteados ou aqueles que concluíam o pagamento do bem, deixaram de receber. Houve atrasos de meses para entrega dos prêmios, sem que o consumidor fosse indenizado ou obtivesse qualquer compensação pela quebra de contrato.
(Diário do Pará)
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