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Quarta-feira, 08/02/2012, 04h11

Surgem novas vítimas do carnê Eletromil

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Durante as últimas 48 horas, mais de 150 pessoas vítimas da compra premiada da empresa Eletromil de Ananindeua compareceram à Divisão de Investigações e Operações Especiais da Polícia Civil (Dioe) para registrar boletim de ocorrência sobre os carnês pagos e mercadorias não recebidas. Na manhã de hoje, uma parte delas deve comparecer ao Procon para formalizar mais uma ocorrência.

De acordo com o delegado Neyvaldo Santos, o prejuízo desses clientes já está em torno de R$ 500 mil. Neyvaldo contou ainda que o gerente da loja, Carlos Roberto Brito de Albuquerque, se comprometeu a prestar esclarecimentos na Dioe no período da tarde de ontem, mas justificou sua ausência por telefone. “Ele alegou que recebeu uma orientação para se apresentar primeiramente ao Ministério Público do Estado e que amanhã (hoje) virá até a delegacia espontaneamente, para esclarecer o que aconteceu e como funcionava a compra premiada”.

O delegado ressaltou que, através das explicações do gerente, novos fatos podem surgir e que a Polícia Civil está analisando os carnês e contratos entregues pelos clientes. “Ele está à frente da empresa, mesmo afirmando que há pouco tempo. Depois de ouvi-lo, teremos mais direcionamentos para as investigações”.

Uma vítima da compra premiada que preferiu não se identificar contou que seu prejuízo foi de R$ 4.400,00 na compra de uma moto. “E olha que faltavam 28 parcelas. Conheço gente que foi sorteada e não recebeu a mercadoria. Sei de uma pessoa que já gastou R$ 11 mil”.

RESSARCIMENTO

O Ministério Público reuniu, em Castanhal, nordeste do Estado, com os clientes que foram lesados pela empresa Eletromil. A reunião contou com mais de três mil clientes que estavam revoltados e queriam justiça.

Só mesmo um ginásio de futebol para colocar os mais de três mil clientes da Eletromil. Eles queriam saber do Ministério Público como e quando a empresa iria pagar os prêmios ganhos durante o consórcio. Mas o MP não deu uma notícia muito boa para os clientes. Segundo o promotor Daniel Barros, o dono da empresa, Eduardo Facunde, colocou vários imóveis no nome de outras pessoas, por isso o ressarcimento fica mais difícil. “Ele é muito esperto. Sabia que mais cedo ou mais tarde isso iria explodir. Nós vamos fazer o possível para bloquear os bens da família para de alguma forma indenizar essa gente”, disse o promotor.

A reunião foi aberta ao público, que fez questão de fazer perguntas aos promotores. Entre vários questionamentos estava a dúvida sobre o destino da ex-gerente da empresa, Ana Cristina Lima, que foi presa na última sexta-feira, depois de uma reunião no Ministério Público. “Ela (Ana Lima) está presa no presídio feminino. Ela coordenava todas as ações da empresa no Estado. Assim como ela, os empresários responsáveis pela Eletromil serão enquadrados por formação de quadrilha. Temos que localizá-los para efetuar a prisão”, disse o promotor, Marco Aurélio Nascimento. A Justiça da comarca de Castanhal decretou a prisão preventiva de Maria Saielen Gomes, esposa de Eduardo Facunde, e do filho Eduardo Facunde Júnior. Todos ainda estão foragidos.

INDIGNAÇÃO

Após ouvir os promotores dizerem que as chances de receber o dinheiro de volta são remotas, os clientes começaram a sair indignados do ginásio Loyola Passarinho. Um cliente mais exaltado pegou o microfone e perguntou aos promotores “como uma empresa que roubou tanta gente se instalou com tanta facilidade nos municípios do Pará? E como os donos e gerentes recebiam prêmios todo ano como empresa destaque?”. Os promotores responderam que a empresa tinha CNPJ e assinava as carteiras dos funcionários. Só não gostava de contemplar os clientes. A equipe do DIÁRIO ouviu o autônomo Carlos Aquino, que teve um prejuízo de 5.600 reais. Para ele, o não recebimento do dinheiro é culpa dos governantes das cidades que recebem os impostos, mas não fiscalizam as empresas. “Eu tenho certeza de que não receberemos o dinheiro de volta. Agora que fique claro que, assim como eles (municípios) fiscalizam meu churrasquinho na feira, queria que fiscalizasse também esses ladrões de paletó”, disse revoltado.

AÇÃO NA JUSTIÇA

Em um ato de revolta, os clientes falaram que a justiça de Deus é mais eficiente. Antes de deixarem o ginásio, eles cantaram, inesperadamente, o hino nacional. O Ministério Público anunciou que vai entrar com uma ação na Justiça pedindo o fechamento de todas as empresas que trabalham com compra premiada. “Nós já estamos entrando com uma ação civil pública e pedindo o fechamento de todas as lojas que tenham esse tipo de modalidade”, concluiu Daniel Barros.(Diário do Pará)







Comentários Recentes

  • jebayo disse: Comentário postado em 08/02 Quarta-feira às 09:05h "Devemos fazer uma pesquisa sobre que pessoas é que conseguem acreditar neste tipo de negócio? nos sites de compartilhamento já tem algumas opiniões, por que será que esta loja não abriu no centro comercial? e tem quem vá na tv dizer que era um consórcio (sic), altamente desinformados, não devem ler nem ver jornais este golpe já foi denunciado a pelo menos tres anos atrás e ninguém sabia?"
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