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Quarta-feira, 15/02/2012, 05h49

Rancho Não Posso Me Amofiná reedita samba de 1979

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Rancho Não Posso Me Amofiná reedita samba de 1979

Há quase oitenta anos entre confetes e batuques, o Rancho Não Posso Me Amofiná se tornou uma espécie de entidade do carnaval paraense. Criado no sábado gordo da Páscoa de 1934, reza a lenda que foi debaixo de três mangueiras do bairro do Jurunas onde o grupo de sambistas, capitaneado por Raimundo Manito, deu a primeira canja da recém-surgida escola. Seria o debut de uma das mais antigas agremiações da cidade. Sua história se confunde com a trajetória do carnaval por aqui.

“O Rancho, como outras agremiações, tinha instrumentos como o surdo, o pandeiro, a cuíca, usados nos bois bumbás da época. Mas a escola trouxe uma novidade: foi a primeira a tocar tamborim na bateria. Além disso, ninguém cantava música própria. Manito escreveu o primeiro samba cantado por uma agremiação no Estado do Pará”, conta, orgulhoso, o filho do fundador do Rancho, João Manito.

Nesses muitos anos de folia, o que não faltam são capítulos curiosos. Surgido do bloco de rua “Quem Fala de Nós Tem Paixão”, composto por homens vestidos de mulher, o Rancho pretendia manter a tradição do clube do bolinha. Mulher na escola, nem pensar. Isso porque Manito vinha de família extremamente católica, e via nas moças sambando um alerta vermelho de perigo. “As mulheres eram discriminadas. Manito entendia que elas constituíam um elemento desagregador. A disciplina, a ordem e a liderança dos diretores seria provavelmente abalada com suas presenças”, explica o herdeiro do carnavalesco.

Traços do comportamento de uma época passada. Como imaginar, hoje, carnaval sem o rebolado e a beleza das passistas? “Felizmente, não demorou para entrarmos na avenida trazendo toda a graça das mulheres do Rancho”, comemora Zé Roberto Teixeira, atual presidente da agremiação.

Se por um lado havia esse viés um tanto retrógrado da escola, por outro, ela também provocou polêmica pela ousadia. “Nos anos 50 e 60, o Rancho foi discriminado porque reunia mulatos, pobres e trabalhadores. As pessoas de outros bairros do centro de Belém chamavam de ‘escola de mulatos pacholas’ e ‘negrada do Jurunas’”, lembra Raimundo. Histórias da quarta escola de samba mais antiga em atividade no país. A tradição do Rancho só fica atrás das cariocas Mangueira, Portela e Império da Tijuca.

Tempo de criança

Numa homenagem à própria história, o Rancho traz este ano para avenida uma reedição do carnaval de 1979. Volta à cena o samba-enredo “Tempo de Criança”, que marcou o momento áureo da agremiação. Foi com o tema que o Rancho ganhou o primeiro de quatro títulos consecutivos.

“Fomos tetracampeões. Uma época de ouro que achamos merecedora de homenagem, e, no mais, quem sabe não nos dá uma boa sorte de novo?”, diz Zé Roberto Teixeira, que vai tornar samba o lúdico universo infantil. O desfile traz 14 alas, com 1700 brincantes. A bateria, também regida por Zé Roberto, traz 150 ritmistas. Há poucos dias para entrar na Aldeia David Miguel, o clima na sede do Rancho é de confiança. Como a escola não desfilou ano passado, por conta de divergências com a gestão da Fumbel, responsável pela organização do concurso das escolas, a agremiação tratou de fazer do limão uma limonada. “Boa parte das fantasias foi feita ainda em 2010, para o carnaval de 2011. Como não desfilamos, esse material ficou guardado. Então estamos trabalhando sem aperreio de tempo. Estamos na reta final”, diz o presidente.



SAMBA-ENREDO

TEMPO DE CRIANÇA



Autoria: Fernando Aflalo

Intérprete: Silvinho da Beija-Flor



O tempo de criança

Num belo amanhecer

Com um sorriso lindo

Faz a gente renascer

Um mundo só de sonho e fantasia

As alegrias dos brinquedos que têm lá

Um palhaço fazia a festa

Qual aves na floresta a cantar



Pega o pião, põe pra girar

O meu Rancho vem chegando

Não Posso Me Amofiná



Toda fada madrinha

Tem sempre uma criança a proteger

Sinto que a maior tristeza minha

É criança já não ser

Lembrar dos vendedores que paravam

Olhando a bola rolando no chão

Ou aqueles papagaios que chinavam

Ó saudosa expressão!



Pega o pião, põe pra girar

O meu Rancho vem chegando

Não Posso Me Amofiná

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