Terça-feira, 21/02/2012, 07h26
Enquanto os balneários fervilham com programações que vão até a quarta-feira de cinzas, Belém vive dias com ar melancólico. Ruas vazias, poucos carros e a chuva fina que insiste em cair transformaram o carnaval dos remanescentes e trouxeram momentos de paz à cidade que há muito alcançou status de metrópole caótica.
Em plena segunda-feira, encontrar a avenida Almirante Barroso com faixas livres para transitar é, como diz o militar da reserva Roberto Figueiredo, “uma bênção”. Ele cancelou os planos do carnaval que incluíam uma viagem para Fortaleza, por conta de uma virose, mas diz não ter se arrependido. “A vantagem é poder dirigir, estacionar, e até mesmo andar pelo centro de Belém sem ter a sinfonia de buzinas como trilha sonora”, avalia o aposentado.
Segundo Roberto, ver Belém vazia o faz recordar da cidade em outras épocas. “Quando não tínhamos tantos carros, tanta poluição, tanta gente. Belém ainda não tem estrutura para comportar essa modernização. Tudo acontece com tanta rapidez que a gente esquece como era a vida antes disso”, relembra o militar, que confessa ter saudade dos momentos de tranquilidade. “Ontem eu fiquei quieto em casa e por alguns minutos pude ouvir o som do silêncio, coisa que nunca mais tinha tido a oportunidade de fazer”, diz melancólico.
Os dias chuvosos que comumente acompanham o período carnavalesco em Belém contribuem para a “preguicinha”, mas quem não se entrega pode aproveitar o momento para passear. Emanuel Tavares, 32, professor de educação física, tirou a tarde para passear com Duque, o cachorro de um amigo. O labrador que, de pé, teria quase um metro e meio. “Apesar de ele ser muito dócil, as pessoas acabam se assustando com o tamanho dele, então é mais fácil passear num dia como esse, com pouca movimentação nas ruas”, justifica Emanuel.
O clima de cidade deserta favorece também quem gosta de aproveitar as ruas para caminhadas. Vanessa Cordeiro, 20, publicitária, é uma das que prefere a Belém vazia. “Acho que a cidade fica mais charmosa, o tempo chuvoso e o céu meio nublado dão um ar mais romântico, assim como as ruas desertas” admite. “Eu aproveito esses momentos para deixar o carro em casa e partir para caminhadas. Posso apreciar a cidade e me sinto mais livre”, descreve a publicitária.
Para Vanessa, a tendência é que, aos poucos, Belém vá perdendo estes momentos de calmaria. “A cidade está crescendo. Com isso cada vez menos teremos momentos de paz. Isso é uma das características das megalópoles. Elas nunca param. Uma pena para nós, que vamos perder esses suspiros de paz”. (Diário do Pará)
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