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Quarta-feira, 22/02/2012, 02h33

A cultura dos fobós agita Óbidos desde 1930

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O Carnaval de Óbidos, no oeste do Pará, acontece desde 1930, segundo uma foto antiga em que figuram homens vestidos de mulher sob o registro dessa data. Seria o bloco precursor ou inspirador do atual Bloco das Virgens, que desfilou no fim da tarde de ontem pelo centro da cidade e promete arrastar centenas de homens vestido de mulher e mulheres vestidas de homem.

O desfile do Bloco das Virgens encerra o Carnapauxis, carnaval oficial de Óbidos, famoso pelas guerras de amido de milho e pelos fobós, personagem mascarado que veste um macacão colorido, chamado de dominó, e leva na cabeça um “capacete”, que é um cone revestido de papel laminado que tem três hastes na ponta de onde pendem fitas coloridas.

O bloco tradicional dos fobós é o Unidos do Morro, que desfilou segunda-feira (20). Desde cedo se percebia o movimento dos foliões em busca da vestimenta completa para sair incógnito no carnaval. Dona Francisca Correia exibia um dominó com placa de aluguel na porta da casa. Há 14 anos a costureira aproveita o carnaval para incrementar a renda familiar.

São mais de 50 fantasias de diversas estampas e tamanhos que são vendidas e alugadas por R$ 45 e R$ 10, respectivamente. “É um trabalho que me dá prazer. Gosto muito de carnaval, mas não tenho mais saúde para brincar, então me realizo nos dominós que costuro e que vão para o cortejo dando uma alegria especial à festa e ajudando a manter a tradição do nosso carnaval”.

ARTE

A tradição também é perpetuada pelas mãos de Waldir Matos, 89 anos, que transforma jornais e revistas velhos em formas de rosto. Aos poucos, vão surgindo máscaras de todas as cores e formatos, que, penduradas na varanda da casa, chamam a atenção de quem passa e convidam a curtir o carnaval de Óbidos da maneira mais tradicional: de fobó. O artesão começou a fazer máscaras quando tinha 8 anos e a brincadeira de criança ainda continua sendo uma grande diversão.

“Todas as caras sou eu que invento. Coloco chifre em uma, nariz de palhaço na outra, cada careta é diferente. Só paro de fazer máscaras quando eu morrer e quando isso acontecer, já avisei que não quero choro, quero que levem as minhas máscaras para o enterro”, disse sorrindo o artista que está ensinando a um dos filhos o ofício de fazer máscaras de fobó. “A tradição vai parar nas mãos do meu filho mais velho. Mas também têm outros artesãos e crianças que já fazem as máscaras, isso é muito bom”.

HOMENAGEM

Seu Waldir foi um dos homenageados no cortejo do bloco Unidos do Morro, com direito a desfile em carro aberto e tudo. O cortejo partiu da sede do bloco no bairro de Fátima, também chamado de Camelo, arrastando brincantes que vestiam abadas do bloco, fantasias dos mais diversos temas e cerca de três mil fobós que encheram de cor e irreverência as principais ruas da cidade.

O pequeno João Pedro, de dois anos, era um dos fobós. Para a professora Cristiane Barros, mãe do menino, essa é uma maneira de passar a tradição para a próxima geração. “Ele adora dançar e quero muito que ele cresça entendendo o nosso folclore e seguindo a nossa tradição”. (Agência Pará)

TRADIÇÃO

O bloco tradicional dos fobós, do município de Óbidos, é o Unidos do Morro, que desfilou segunda-feira (20).

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