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Quarta-feira, 22/02/2012, 02h50

Mais um imóvel tem azulejos saqueados na Campina

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Mais um edifício histórico teve seus azulejos furtados em Belém. O crime aconteceu no último sábado (18), na galeria Kamara Kó, localizada na travessa Frutuoso Guimarães, no bairro da Campina. O casarão centenário em estilo eclético teve duas colunas de azulejos, de aproximadamente um metro e meio de comprimento, retiradas de sua fachada.

“No dia, a galeria estava fechada, mas vim resolver algumas coisas de trabalho e fiquei a tarde toda trancada no escritório. Quando me preparava para sair, por volta das 19h30, percebi o rastro de detritos no chão e a parede nua. Tudo aconteceu em poucas horas, naquele final de tarde mesmo. Não ouvi barulho, nem nada”, conta a produtora cultural Makiko Akao, sócia da galeria de fotografia.

O prédio faz parte de uma área tombada no ano passado pelo governo federal, através do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), como parte do conjunto do centro histórico de Belém, que inclui os bairros da Cidade Velha e da Campina. De acordo com a lei, é obrigatória a manutenção das fachadas e estruturas originais, sob pena de incorrer em crime contra o patrimônio.

A casa foi adquirida por Makiko e o ex-marido em 1997, como residência do casal. Em 2008, passou por uma reforma financiada pelo programa Monumenta, parceria entre Governo Federal, Prefeitura de Belém e Iphan. O projeto foi orçado em R$ 20 mil. Os azulejos que adornam o entorno da porta de entrada e janelas do edifício são originais, garante a proprietária.

“O que chamou atenção dos bandidos foi o fato de serem azulejos em baixo relevo, coloridos. São peças raras, de origem europeia, muito valorizadas no mercado de antiguidades. Desconfio que possa ser um crime de encomenda ou uma quadrilha especializada, já que está acontecendo em série aqui no bairro”, afirma a produtora.

FERRO DE ENGOMAR

No dia 28 de janeiro, ocorreu um crime semelhante em outra rua do bairro da Campina. O Palacete Vitor Maria da Silva, mais conhecido como Casarão do Ferro de Engomar, na Travessa Veiga Cabral com Rua Presidente Pernambuco, abrigava em seu interior painéis de azulejos, criados pela empresa francesa A. Arnoux e Boulanger & Cie. Parte das grades e dos painéis foram destruídos ou desapareceram.

A casa foi residência da família do engenheiro Vitor Maria da Silva a partir do final do século XIX. Em 2005, o local foi adquirido por um empresário, dono de uma rede de lojas de departamentos.

No último dia 10, o Ministério Público Estadual (MPE) obrigou o proprietário do palacete a arcar com os danos ao patrimônio. O pedido foi feito através do Departamento do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural (Dphac), da Secretaria de Estado de Cultura (Secult), que considerou o casarão como alvo de abandono e vandalismo com fins comerciais, por parte do dono do imóvel. Há sete meses, o casarão vem passando por um processo de tombamento pela Secult.

ONDA DE CRIMES

O DIÁRIO apurou que, no bairro da Campina, o furto de azulejos vem se tornando uma modalidade comum de crime. A menos de um quarteirão da Kamara Kó Galeria, na rua Riachuelo, dois casarões vizinhos tiveram várias peças roubadas da fachada.

“Roubaram os azulejos na calada da noite. Aconteceu há uns quatro meses. Não escutei nada, mesmo porque a casa é grande, fica difícil de perceber algo estando lá dentro”, conta moradora Giselda Ferreira.

Há três anos, ela aluga o edifício. Após o primeiro furto, os vândalos regressaram um mês depois para retirar mais peças. “Desde então fico de olho, vigiando. Os vizinhos disseram que foram uns ‘hippies’. Dizem que vendem pros antiquários”, especula.

No casarão vizinho ao dela, o estrago nos painéis é pior. Na parede se vê apenas os tijolos rústicos do começo do século passado. A moradora conta que o crime neste caso é um pouco mais antigo. “Foi há um ano e meio. Um cara veio de carro, à noite, e arrancou todos”, relembra.

A nossa equipe tentou entrar em contato por telefone com o Dphac e a Fundação Cultural do Município de Belém (Fumbel) responsáveis no âmbito estadual e municipal, respectivamente, pela salvaguarda do patrimônio histórico de Belém, entretanto não conseguimos resposta.

sob proteção

CENTRO HISTÓRICO

De acordo com uma medida acatada pelo governo federal, no dia 3 de maio de 2011, os bairros Campina e Cidade Velha, em Belém, foram tombados como patrimônio histórico nacional. A decisão abrange uma área de 3.000 edificações tombadas.

TOMBADOS

Belém tem hoje 23 monumentos tombados pelo Iphan. Desse total, 17 bens estão inseridos nos bairros da Campina e Cidade Velha. Os dois bairros formam o perímetro do centro histórico de Belém, que já é tombado por lei municipal. (Diário do Pará)

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