Quarta-feira, 22/02/2012, 02h57
A Terça-feira Gorda de Carnaval finalmente chegou. Apesar da folia já rolar solta desde a sexta passada, foi na chamada “mardi gras” que o espírito carnavalesco resolveu sacudir um pouco a cidade e tirá-la do marasmo que tomava conta do carnaval de quem não arriscou viajar.
Debaixo de uma bela chuva, a tarde de ontem não parecia nada convidativa, e pouco lembrava o feriado de carnaval. Em alguns pontos da cidade, as demonstrações de interação com o feriado-símbolo do Brasil eram tímidas: algumas pessoas transitavam com adereços pelas ruas, rumo a alguma confraternização. Mas o distrito de Icoaraci foi soberano no quesito animação e mostrou com quantos foliões se faz um carnaval de rua.
No bloco “Seca Lata”, criado pelo autônomo Marlyis Ferreira, 34 anos, o que deu o tom foi a nostalgia. Os cerca de 200 foliões seguiam animados o trenzinho que fez lembrar os antigos carnavais. No primeiro vagão, a criançada; no segundo, uma banda de fanfarra puxava o bloco tocando marchinhas das mais tradicionais.
O ponto de partida e coração do bloco é a fachada da casa de Marlyis, que fica na rua Luís de Azevedo, em Icoaraci. “Resolvi reunir amigos e familiares para que pudéssemos aproveitar o carnaval sem precisar sair do nosso bairro”, afirma Marlyis, que diz ter se surpreendido com a procura pelos abadás. “Foi uma forma de organizar. No começo, seríamos amigos e familiares, mas a vizinhança acabou gostando da ideia e aderindo”, explica.
E no “Seca Lata” só não vai quem já morreu, é o recado do idealizador do bloco. “A participação é livre, só não vale deixar a banda passar e não se juntar”, diz o folião apressado, antes de correr para se juntar à banda que, além de cantar coisas de amor, também fez uma ode ao carnaval tradicional.
Não foi preciso ir muito longe para achar o bloco “Unidos do Forrão”, na rua 15 de Agosto. O bloco, que reunia amigos e vizinhos, passava gracioso pelo quarteirão, convidando à folia os moradores da Vila Sorriso. “Os amigos que precisavam de algum favor para sair, por exemplo, pediam ao outro, e assim, quando esse precisava do favor de volta, era a ‘forra’, e no carnaval é o dia do Forrão”, diz Júlio Fernandes, explicando a brincadeira que deu nome ao bloco e já marca o carnaval do grupo de amigos há oito anos. Hoje, o bloco já reúne quase 300 brincantes.
Com um carro som apenas para amplificar os vocais, a animação no bloco do Forrão ficou por conta da charanga que tocava marchinhas e sambas. “Demos preferência às músicas que remetem ao verdadeiro carnaval de rua, a nostalgia é parte da magia do verdadeiro carnaval”, disse Júlio.
Pelas ruas de Outeiro, o movimento foi mais tímido. Apesar do palco armado na orla da Praia do Amor, apenas a decoração da ilha fazia referência ao carnaval. Para não ficar de fora, John Tavares e Ana Amaral reuniram familiares no bloquinho que ainda não decidiram se terá o nome de “Se Esforça Senão Sai” ou “Nós Num Presta”. “Carnaval é alegria, e não dá pra passar em branco”, afirma John, que não hesitou em pegar o vestido de uma amiga e improvisar sua fantasia de ‘periguete’.
“O bloco deu certo e pretendemos fazer algo mais organizado ano que vem, já começamos a caixinha”, adianta o rapaz, que dançava e divertia o público com suas coreografias engraçadas.
O improviso, aliás, foi a palavra de ordem no bloco. A mala do carro foi incrementada com caixas de som mais potentes e nelas ecoavam as já conhecidas marchas carnavalescas. Quem assistia, também aprovou a brincadeira. “Acho divertido, estão todos curtindo, é legal de ver e dá vontade de participar”, brinca Andréa Costa, moradora do distrito, que acabou se juntando ao bloquinho.
Oito mil assistem ao último desfile na orla de Outeiro
Melhor organizado do que os desfiles dos demais distritos de Belém, o carnaval de Outeiro encerrou a programação de desfiles oficiais da Prefeitura, ontem à noite. Cinco blocos carnavalescos e cinco escolas de samba da ilha desfilaram na avenida Beira-Mar a partir das 20h, atraindo um público estimado de oito mil pessoas.
A Rainha da Bateria do Carnaval de Belém (concurso organizado pela Fundação Cultural do Município de Belém- Fumbel), Rose Menezes, e a Rainha Gay Marjorie Rabechy participaram do evento.
O desfile foi aberto pelo bloco Arco-Íris de Outeiro, seguido do Encanto da Ilha, Gaviões do Samba, Coringa do Samba e o Arrastão da Ilha, campeão do ano passado. Depois dos blocos, vieram as escolas de samba União da Ilha, O Sindicato (campeã de 2011), Estação 1ª do Samba, Parafuseta de Caratateua e a Associação Carnavalesca Raio X, que fechou o desfile.
Para o diretor do bloco Encanto da Ilha, Francisco Carlos Silva, 42, o carnaval de Outeiro “é o melhor dos distritos de Belém e está cada vez mais abrilhantado, com o apoio do governo do Estado”.
Dona Inês Silva Pereira, 52, tem o privilégio de assistir o desfile da porta de casa. “Espero que o meu bloco (Arco-Íris) seja o campeão”. O diretor cultural do Distrito de Outeiro, Denildo Oliveira, avaliou como “um sucesso” a programação do carnaval em Outeiro, que iniciou no dia 29 de janeiro. Dez servidores da 3ª Vara Distrital de Icoaraci fiscalizaram a participação de menores no evento, que teve a segurança garantida pela Polícia Militar e Guarda Municipal de Belém.(Diário do Pará)
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