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Quarta-feira, 22/02/2012, 05h29

Mangueira destaca-se com ‘parada-show’

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Um ano depois da “paradona” que assombrou a Sapucaí com o silêncio prolongado da bateria, o presidente da Mangueira, Ivo Meirelles, arriscou ainda mais no desfile da madrugada de ontem, em que homenageou o lendário bloco Cacique de Ramos - com o enredo “Vou festejar, sou Cacique, sou Mangueira”. Numa Sapucaí ampliada com novas arquibancadas, a Verde e Rosa fez o que Meirelles chamou de “parada show”, dividindo opiniões mais uma vez. Pelo menos quatro vezes, na frente das cabines de jurados, a bateria parava e o som da passarela caía por quase dois minutos, deixando o samba sustentado nas vozes dos componentes e de um time de estrelas escalado para um pagode quase intimista sobre um pequeno carro. Numa referência ao reduto do pagode que se tornou o Cacique, nomes como Alcione, Sombrinha, Dudu Nobre, Noca da Portela e Xande do Revelação revezaram-se num show que animou quem estava próximo, principalmente na retomada da bateria.

Sem a mesma tradição na elite do carnaval do Rio, a São Clemente apostou na criatividade para surpreender o público, apresentando o enredo “Uma aventura musical na Sapucaí”. Na bateria, a amarela e preta de Botafogo inovou com um violinista. Durante paradinhas, o músico Renato Sobreira tocava no violino parte do samba da escola em uma referência ao espetáculo “Um Violinista no Telhado”. Com o enredo “De Londres ao Rio - Era uma vez… uma Ilha”, a União da Ilha fez uma homenagem ao Reino Unido, num enredo sobre Londres e os Jogos Olímpicos, sempre com uma pitada de irreverência.

Já a Unidos da Tijuca homenageou o compositor Luiz Gonzaga em “O dia em que toda a realeza desembarcou na avenida para coroar o rei Luiz do sertão”. Considerado o carnavalesco mais inovador e mais bem pago, “gênio” para muitos, Paulo Barros teve sacadas inteligentes para tirar o enredo do óbvio, especialmente num carnaval que teve outros quatro enredos falando do Nordeste. Ainda assim, a plateia viu mais fantasias de boi-bumbá, Lampião e Maria Bonita, gangues de cangaceiros e festas juninas, todas já apresentadas em escolas de anteontem e de ontem.



SUPERAÇÃO

Considerada uma das poucas escolas de samba cariocas capazes de impedir o bicampeonato da Beija-Flor, o Salgueiro, que apresentou o enredo “Cordel Branco e Encarnado”, teve o seu maior momento de emoção no final, devido ao risco de ultrapassar o limite de 82 minutos. A rainha da bateria, Viviane Araújo, que ostentava uma fantasia feita com ouro em pó e avaliada em R$ 250 mil, atraiu aplausos ao longo de toda a passarela.

Um ano após o incêndio que destruiu fantasias e alegorias, dias antes do carnaval de 2011, a Acadêmicos do Grande Rio mostrou o enredo “Eu acredito em você! E você?”, em que, a partir de sua própria experiência, contou histórias de superação.

A agremiação levou para a avenida o iatista Lars Grael, que perdeu uma perna em um acidente no mar, e o pianista João Carlos Martins, que virou maestro depois de perder o movimento dos dedos. (Agência Estado)

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