Quarta-feira, 22/02/2012, 06h14
Exibido recentemente na mostra de melhores filmes de 2011 realizada pela Associação de Críticos de Cinema do Pará, “A Fita Branca” volta a ser exibido hoje, no Cine Sesc Boulevard. É uma boa oportunidade para conferir o filme que foi exibido em Belém pela primeira vez apenas dois anos depois do seu lançamento, e que ganhou a palma de ouro em Cannes por méritos visuais e narrativos irrepreensíveis.
A produção de 2009, assinada pelo diretor de filmes contundentes e provocadores como “Cache”, “Violencia Gratuita” e “A Professora de Piano” - Michel Haneke - acompanha estranhos acontecimentos que começam a perturbar a calma da cidade alemã nas vésperas da Primeira Guerra Mundial – no espaço de um ano, que vai de julho de 1913 a agosto de 1914. Nesse local (uma aldeia fictícia protestante, intitulada Eichwald), vivem as crianças e adolescentes de um coral, dirigido por um professor primário. Após um incidente envolvendo o médico local, um clima de desconfiança geral, logo se transforma em paranóia quando outros estranhos eventos ocorrem.
Assustados, os meninos e meninas do coro têm como “herói” seu professor, que começa a investigar os acontecimentos para encontrar os responsáveis. Aos poucos, ele desvela uma perturbadora verdade. A violência física e psicológica, e o cerceamento da liberdade, temas recorrentes nos filmes de Haneke, ressurgem em “A Fita Branca”. Quando somos apresentados às relações sociais que se dão na aldeia, em especial ao poder que o barão exerce sob seus empregados submissos – entre os quais, o médico que desencadeia o conflito – e o grupo de crianças que já perderam a inocência, vemos como em certas situações, os atores sociais são obrigados a portar as fitas brancas, como um lembrete da pureza perdida.
Um exercício artístico profundo, as cenas de “A Fita Branca” foi originalmente filmado em cores e em seguida, alteradas para preto e branco. Christian Berger, habitual diretor de fotografia de Haneke, rodou o filme em Super 35 e antes das filmagens estudou os filmes em preto e branco que Ingmar Bergman fez com o fotógrafo Sven Nykvist. Não é a toa que o filme ficou com a aparência equidistante e assustadora de certas películas da dupla, como “A Hora do Lobo”.
Para Haneke, seu filme é sobre as raízes do mal, a partir de um grupo de crianças que são doutrinadas com ideais sinistros e se tornam juízes dos outros – justamente daqueles que impuseram os ideais absolutos como o fascismo da direita, o fascismo da esquerda e o fascismo religioso. “Sempre há alguém em uma situação de grande aflição que vê a oportunidade, através da ideologia, para se vingar, se livrar do sofrimento e consertar a vida. Em nome de uma ideia você pode virar um assassino.”, afirmou, durante a coletiva do filme em Cannes.
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“A Fita Branca”, de Michael Haneke. Hoje, às 19h, no Cine Sesc Boulevard (Sesc Boulevard – em frente à Estação das Docas). Informações: 3224-5305/ 3224-5654. Entrada franca. (Diário do Pará)
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