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Quarta-feira, 22/02/2012, 06h27

Ensaio sobre poema de Poe ganha nova versão

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Escrito em 1845, “O Corvo”, de Edgar Allan Poe, transformou-se, depois de sua descoberta por Baudelaire, em um dos poemas mais famosos da literatura universal, não só pela sua originalidade, mas pelo efeito quase hipnótico da sua estrutura, revelando-se, não obstante suas dificuldades formais, um poema afinal “traduzível” para qualquer idioma.

Em “O Corvo e suas traduções”, editado pela LeYa Brasil, estão reunidas as mais importantes traduções de “O Corvo” em língua portuguesa, além do texto original e das duas traduções clássicas para o francês, a de Baudelaire e a de Mallarmé, em prosa, e a atual, em versos, de Didier Lamaison. Por se tratar de uma edição revista e ampliada, incluem-se na obra uma breve biografia do poeta e o célebre artigo “A Filosofia da Composição”, em que Poe tenta sintetizar a construção de “O Corvo”. O livro, desde sua primeira edição, vem sendo apresentado com entusiasmo pelo escritor Carlos Heitor Cony.

Edgar Allan Poe viveu uma trajetória marcada pela miséria e pelo alcoolismo. Nascido em Boston em 1809, o jovem Edgar perdeu os pais, atores itinerantes, com apenas 3 anos de idade e logo em seguida foi adotado por um casal escocês, com quem viveu até os 17 anos. Mas a perda de sua mãe adotiva jogou o jovem Edgar num poço de depressão e solidão. Alguns relatos dão conta de que o poeta rondava seu túmulo à noite, no cemitério de Glasgow. E foi para ela que escreveu “To Helen”, um de seus versos mais conhecidos.

A obra de Poe exerceu grande influência sobre a literatura mundial. O detetive Dupin, de “Os crimes da Rua Morgue”, serviu de modelo para o Sherlock Holmes, de Conan Doyle. Autores com Julio Verne, Maupassant, Maeterlink e Dostoievski mostram fortes influências de sua prosa. Sua poesia inspirou seus tradutores Baudelaire e Mallarmé e os poetas Verlaine, Rimbaud e Paul Valéry. Poe foi amplamente traduzido em língua portuguesa e influenciou igualmente nossos escritores.

“Há em “O Corvo”, de Edgar Allan Poe, uma tal interdependência entre o conteúdo emotivo e seu suporte estrutural, que qualquer tentativa ou intuito de alterá-la concorre fatalmente para diluição ou mesmo para a dissolução do encantamento poético causado precisamente por essa combinação”, diz Ivo Barroso.



TRAJETÓRIA

Ivo Barroso nasceu em Ervália-MG e reside no Rio de Janeiro. Poeta, tradutor e crítico literário, já publicou mais de 40 obras, sendo a maior parte traduções de autores célebres como Shakespeare, Hermann Hesse, Ítalo Svevo, Italo Calvino, Eugenio Montale, T. S. Eliot, além da obra completa de Arthur Rimbaud. Editou a Poesia e Prosa de Charles Baudelaire e À Margem das traduções, de Agenor Soares de Moura. Seus livros de poemas compreendem: Nau dos Náufragos e Visitações de Alcipe (editados em Portugal) e Caixinha de Música e A caça virtual e outros poemas (publicados no Brasil). Faz crítica literária para jornais e revistas do Rio e de São Paulo. (Diário do Pará)

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