Notícias Esporte Você Comunidade

OURILÂNDIA DO NORTE

Dívida da prefeitura é de quase R$ 10 milhões

Pará
Publicidade

Domingo, 03/02/2013, 10h03

Carnaval: os personagens de um tempo mágico

Tamanho da fonte:

O carnaval de Belém é mais rico em histórias e personagens do que se possa imaginar. Ainda no tempo em que a Praça da República era o Largo da Pólvora, recanto dos brincantes das passeatas ‘Zé Pereira’ , ‘Corso’ e ‘Batalha de Confetes’, algumas figuras clássicas se destacaram. Quem se lembra do infame Gorila que assustava as crianças nas ruas? E o Dr. Passa o Pau, que desfilava pelos blocos carregando uma maleta contendo utensílios inusitados? E Mário Cuia, Rei momo mais gordo e famoso do Brasil? Sem falar dos ‘Portas-estandartes’ e das ‘Sambistas’, ícones criados no carnaval local e que alegravam os desfiles das primeiras escolas de samba da cidade.

Para quem viveu esta fase do carnaval, entre os anos 1950-60, o que não falta são lembranças. O diretor de bateria e hoje presidente da Escola de Samba ‘Rancho Não Posso me Amofiná’, Roberto Teixeira, conta que os primeiros contatos que ele teve com o carnaval foram como espectador dos personagens e apresentações no Largo da Pólvora. “Era muito animado. A festa começava dia primeiro de janeiro e ia até a quarta-feira de cinzas. Todo mundo convergia para a Praça da República. Era algo bem espontâneo”.

Assim como Teixeira, Waldemar Coelho, 66, teve a infância e juventude marcada por desfiles, bailes de carnaval, mas principalmente por um personagem em particular: o próprio pai e Rei Momo de Belém, Mário Cuia. “Eu ia com ele em todos os bailes, blocos e desfiles da cidade. A partir do primeiro grito de carnaval, que acontecia no Réveillon, todos os finais de semana ele saia fantasiado em um carro alegórico da ‘Guara Suco’, em um trono com direito a holofotes e fogueteiros que anunciavam a chegada dele. Ele abria bailes, desfiles e ensaios das escolas de samba”, lembra.

O perfil e carisma de Mário Cuia, no auge dos seus 1,90m e 241kg, foram responsáveis pelo título de maior Rei Momo do Brasil, concedido a ele em um concurso realizado pela Revista ‘O Cruzeiro’, em 1966. “Na época não tinha um rei momo para representar Belém no concurso, daí o prefeito Alacid Nunes nomeou o meu pai como Rei-Momo oficial. E chegando lá ele ganhou o concurso. Ele era um homem de respostas rápidas e que gostava de brincadeiras. Era uma pessoa muito engraçada”, recorda.

Embora tenha acompanhado todo o ‘reinado momesco’ do pai, que durou até 1975, Waldemar optou por não seguir a mesma carreira. “Não pensei em seguir a carreira dele, até porque eu não tenho o mesmo carisma. Ele é único”. Hoje, Waldemar é um dos jurados do concurso “Mário Cuia”, produzido pelo bloco Jambu do Kaveira, que escolhe o Rei Momo do carnaval de Belém. “É muito gratificante ser jurado de um concurso com o nome do meu pai”.

Se o nome de Mário Cuia ficou marcado na história do carnaval paraense, o que dizer de um ilustre desconhecido que durante o período carnavalesco atendia pela alcunha de ‘Dr. Passa o Pau’? O divertido médico que saia pelas ruas de gravata borboleta e maletinha, na vida real era telegrafista da estrada de ferro da antiga Avenida Tito Franco - hoje Almirante Barroso - e se chamava Benedito Moraes de Santana.

Liliam Garcia, 47, neta do “Dr. Passa o Pau”, conta que ele levava a personagem a sério. “Desde que eu me entendo por gente ele já saia como ‘Dr. Passa o Pau’. Ele desfilou muitos anos, acredito que desde 1950. Uma vez saiu com ele no carnaval uma neta fantasiada de enfermeira, um neto de caveira e meus tios na organização. Foi muito hilário, mas tínhamos que rir escondido, pois ele levava esse momento muito a sério”.

Segundo Liliam, Benedito era um mestre na arte de contar histórias e fazer suspense em torno do personagem. “Ele sabia criar um clima de magia e mistério. Quando criança nós tínhamos a maior curiosidade de saber o que tinha dentro da maleta do ‘Dr. Passa o Pau’, mas ele nunca dizia”, lembra.

Até hoje Liliam não sabe dizer ao certo o que o avô carregava na maleta, mas garante que “ela era mágica e cheia de alegria”. “As memórias são muitas, quando reunimos a família sempre lembramos e damos muitas risadas. Meu avô e o personagem ‘Dr. Passa o Pau’ marcou muito nossa infância e adolescência”.

Nos blocos e escolas, um desfile de estrelas

Além de personagens como o Rei-Momo Mário Cuia e ‘Dr. Passa o Pau’, o carnaval de Belém dos anos 1950-60, foi palco para ícones com funções específicas nos desfiles de Cordões, Blocos e Escolas de Samba. São Eles o ‘porta-estandarte’ e a ‘sambista’. A figura do porta-estandarte surgida do maracatu pernambucano foi adaptada ao carnaval paraense no início do século XX. O porta-estandarte era o responsável por exibir o estandarte com a inscrição do enredo da escola.

Rubem Lobato, 62, mais conhecido como ‘Rubão’, atuou como porta-estandarte em Belém desde 1971. Ele exalta a importância que esta função tinha nas décadas passadas. “O porta-estandarte era quem vinha na frente da escola trazendo o estandarte que apresentava ao público o enredo, então era preciso ter postura e elegância”.

Entre os principais porta-estandartes que Belém já teve, Rubão destaca os pioneiros ‘Capitão Fuinha’ (Fundador da extinta Escola de Samba ‘Tá Feio’, em 1935) e Luiz Guilherme (da Escola Maracatu do Subúrbio, hoje Império Pedreirense). “Acompanhei o carnaval desde a minha juventude e cansei de ver o ‘Capitão Fuinha’ e o Luiz Guilherme desfilando ali na Presidente Vargas. Achava eles perfeitos, tinham bom sapateado. Eles foram o meu espelho”, declara.

As sambistas, musas do rebolado, inventadas no próprio carnaval paraense eram outro exemplo de luxo e gingado. Estas dançarinas, que tinham referência da ‘rumba’, tornaram-se populares principalmente nos anos 1950. Zilda, sambista do Rancho não Posso me Amofiná (considerada por muitos a precursora da função), e Marlene, a ‘Parangolé do Samba’ (Império Pedreirense), se destacaram na época. “Assim como o porta–estandarte, as sambistas eram muito importantes no carnaval daqui. Elas desfilavam com roupas muito bonitas e dançavam muito bem. Lembro da Zilda, da Maria José, da Marlene, a ‘Parangolé do Samba’. Ela era linda, um pedaço de mulher”, recorda-se Rubão. A figura da sambista existiu até 1978, sendo substituída pelas atuais madrinhas de bateria e mulatas passistas.

CARNAVAL DE ANTIGAMENTE

Zé Pereira: Era uma passeata que acontecia pelas ruas da cidade, animada por bumbos e com paradas estratégicas em bares e botecos. Em geral, a passeata se unia aos blocos de sujos e mascarados e desfiles de carros alegóricos durante o trajeto.

Corso: Era uma espécie de carreata onde brincantes sentados no encosto de conversíveis mostravam suas fantasias e jogavam lança perfume, confete e serpentina sobre as pessoas que assistiam nas calçadas do Largo da Pólvora.

Batalha de confetes: Disputa das primeiras escolas de samba de Belém. Eram realizadas em locais como Bosque Rodrigues Alves, Largo da Pólvora, Aldeia do Rádio e avenida Nazaré. Os brincantes somavam-se aos desfiles na disputa pela taça e outra premiações.

(Diário do Pará)

Siga-me

Lojas do Tem! (Classificados)


IT Center
Shopping Pátio Belém - 2o piso
Shopping Castanheira - 1o piso
Gaspar Viana, nº 778
Yamada Plaza (Av. Gov. José Malcher)
Yamada Plaza (Castanhal)
Formosa Duque (Subsolo)
Formosa Cidade Nova (Subsolo)
RBA - Av. Almirante Barroso, 2190


Call Center Tem! (Classificados)
(91) 4006-8000

Fale Conosco

(91) 3084-0100

Central do Assinante

(91) 4006-8000

Endereço

Av. Almirante Barroso, 2190
CEP 66095.000 - Belém-PA

Redação


(91) 3084-0119
(91) 3084-0120
(91) 3084-0126
(91) 3084-0100

Ramais: 0209, 0210 e 0211

Twitter