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Segunda-feira, 15/04/2013, 08h26

Conto de Eneida de Moraes ganha versão em curta

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Quando a literatura atravessa o cinema muita coisa pode acontecer. Desse encontro poético, o improvável: em 2013, a escritora paraense Eneida de Moraes (1904-1971) estará presente no Festival de Cannes, um dos eventos de audiovisual mais cultuados do mundo. Calma, a gente explica melhor: o curta “Promessa em Azul e Branco”, da cineasta Zienhe Castro, está entre os selecionados para a mostra Short Film Corner. A produção é uma adaptação livre do conto homônimo da escritora. 

Na adaptação, Eneida é uma garota que padece com uma estranha imposição da família: suas roupas só podem ter as cores azul claro e branco até completar 15 anos de idade. A razão é uma promessa feita por sua avó à Nossa Senhora de Nazaré, para que o pai de Eneida se recupere de uma doença. No curso da obra cinematográfica, são abordados os sentimentos da menina, que sofre ao ver as amigas abusarem de combinações coloridas. 

O que pode parecer um problema simplório, literalmente infantil, ganha contornos profundos na abordagem da escritora, característica estendida ao filme de Zienhe. E foi essa possibilidade que fez com que a cineasta se apaixonasse pela obra de Eneida.

Linguagem simples e que emociona 

“Quando estava estudando cinema no Rio, em 2001, iniciei uma pesquisa sobre artistas do Pará. A intenção era dar luz a mulheres pouco reconhecidas, que haviam se expressado por meio de alguma linguagem artística e que haviam contribuído efetivamente com o fomento e a difusão da cultura paraense. Fiquei apaixonada pela escrita simples e ao mesmo tempo carregada de emoção de Eneida de Moraes”, revela a cineasta Zienhe Castro.

Premiado com edital de incentivo do Ministério da Cultura, “Promessa em Azul e Branco” inicialmente seria rodado no Pará. No começo de 2011, a produção chegou a sondar locações em Vigia de Nazaré e Bragança, em busca de casarões de época. O processo de seleção para as atrizes mirins mobilizou em torno de duzentas meninas em Belém. Mas, por razões de custo de produção, a obra foi transferida para o Sul do país. “Produzir no Pará iria quase dobrar o valor do filme”, lamenta a cineasta. O filme foi gravado em abril do ano passado, em Florianópolis.

A mudança mais significativa do curta em relação à história original é o período em que é ambientado. Ao invés da década de 1950, como na trama original, a produção optou pelos anos 1970. A escolha além de facilitar o trabalho de reconstituição de época - que foi executada de forma bem sutil, sem exageros do período -, deu um tom mais político a trama, que sofre as repercussões da ditadura militar. 

“Essa questão política ideológica era muito cara da Eneida. Ela era militante comunista. Na década de 30 foi presa sucessivas vezes pelo governo de Getúlio Vargas. Ambientar a história para o período da ditadura nos deu a possibilidade de lidar com essa ferida ainda muito aberta pra minha geração. De certa forma, o amadurecimento da personagem é acompanhado pela perda de inocência do país, que foi o governo militar”, compara a diretora paraense.

E para chegar à fórmula ideal, a diretora contou com o dedo mágico do ator, jornalista e cineasta Adriano Barroso. Envolvido no projeto desde o início, para Barroso o grande desafio da produção era sentir-se à vontade para interferir na obra tão aclamada da autora. “Eu tinha medo de mexer no texto de Eneida, exatamente por admirá-lo demais. E para fazer meu trabalho de roteirista precisava mesmo me despir disso. Tive que perder os pudores e assim conseguimos unir nossas impressões da obra à suavidade da escrita de Eneida”, conta o roteirista. Um trabalho que sempre rende frutos

Esta será a terceira vez que o paraense assina o roteiro de um filme selecionado para o Festival de Cannes. “Os roteiros de ‘Matinta’, do Fernando Segtowich, e de ‘Juliana contra do Jambeiro do Diabo pelo coração de João Batista’, de Roger Elarrat, são meus. Para mim essas participações servem como balizadores, que apontam claramente que o cinema paraense faz coro à evolução do audiovisual nacional. Participar de um festival como esse só nos rende bons frutos, uma repercussão importante para dar força à produção local”, considera Barroso, que atualmente se dedica a finalização de seu mais novo trabalho, o documentário “Ópera Cabloco”, em que contará a história da manifestação popular do Pássaro Junino. 

SAIBA MAIS 

Festival de Cannes é um festival de cinema criado em 1946. É um dos mais prestigiados e famosos eventos de cinema do mundo. Diretores como Fellini, Polanski, Kurosawa e Coppola já levaram para casa o prêmio principal do evento, o Palma de Ouro. O festival ocorre todos os anos, no mês de maio, na cidade francesa de Cannes. 

 

 

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