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Domingo, 02/02/2014, 10h51

Violência encurrala escolas de Belém

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De um lado, professores e outros funcionários da educação pública com medo de ir ao trabalho, acuados e temendo atender o celular nos corredores da escola tanto quanto temem retaliações violentas de alunos insatisfeitos com notas baixas. De outro, gestores da área da educação e da segurança afirmando que é preciso do apoio de todos - inclusive dos professores - para que essa situação mude, já que não haveria apenas uma causa para o nível de insegurança vivido nas escolas. Dadas as justificativas, uma pergunta paira no ar: mas afinal, em qual lado do balcão está a solução para que essa situação, independente de quem dê o primeiro passo, melhore?

O coordenador do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Estado do Pará (Sintepp), William Silva, é categórico e diz que o Governo do Estado faz ouvido de mercador para o problema. “Em maio de 2012 houve um arrastão na Escola Estadual Palmira Gabriel, e isso acabou gerando uma audiência com a presença de várias frentes do Governo. Nela propusemos a criação de um fórum estadual para debater e combater a violência nas escolas, com a presença não só das autoridades, mas também do Conselho Estadual de Educação, dos clubes de mães, associações de moradores, envolvendo todo mundo que pudesse ajudar. Hoje os episódios de violência da rua explodem também dentro escolas, especialmente nos bairros mais perigosos. Acharam interessante, prometeram dar andamento, mas nada aconteceu”, afirma ele, que também é professor da rede pública.

“Carros da PM em frente às escolas não vão resolver o problema. Hoje os professores são assediados pelos estudantes, falta muito para que se tenha o mínimo de segurança dentro da escola”, lamenta. “O Estado precisa entrar nisso, a escola precisa fazer frente a essa realidade. Gestão democrática dentro das unidades escolares, formação especial dos policiais que lidam com a segurança escolar, investimento em alternativas de lazer, como quadras esportivas dentro das escolas são medidas que podem ser tomadas. Quem atua em bairros como Guamá, Jurunas, Terra Firme, Sacramenta, Pedreira e Telégrafo vive sobressaltado. O governo precisa ouvir quem está nessa ponta”, apela Silva.

ASSALTOS E ALUNOS

Professor em uma grande escola em um dos bairros considerados perigosos para quem atua com a docência na rede estadual, o da Pedreira, Rodolfo Nobre relata ter sido assaltado, no mês passado, por alunos ao sair do trabalho. “Uma colega de profissão, que atua em outra escola, contou que a merendeira flagrou estudantes entre 12 e 15 anos usando drogas dentro do banheiro. Cada vez mais, mais histórias do tipo chegam até nós”, relata.

“Eu já soube de aluno ameaçar de ‘salgar’ diretora de escola porque descobriu que ia ser reprovado porque as notas estão baixas. ‘Salgar’ é uma gíria usada na criminalidade que significa matar. E quem faz boletim de ocorrência também é ameaçado. Quem vai proteger o funcionário da escola quando a gente sabe que aluno entra até armado em sala de aula?”, indaga Rodolfo.

Heloísa Aguiar, assessora de Segurança Escolar da Secretaria de Estado de Educação, afirma que o fórum permanente, citado por William Silva existe e foi criado no início de 2012: o ‘Paz pra Ti’ faz reuniões mensais com todos os gestores de todas as Unidades Seduc na Escola (USEs). Segundo ela, o desdobramento veio em forma de proposta de trabalho que ganhou o nome Ações Governamentais Integradas em Rede, o Agir, que faz visitas não programas às escolas com apoio da Companhia Independente de Policiamento Escolar (Cipoe), da Companhia de Policiamento Especializado (CPE), da PM e de vários outros parceiros como o Departamento de Trânsito do Estado do Pará (Detran), Pró-Paz, Guarda Municipal, Polícia Civil, secretarias de Meio Ambiente e outros órgãos para identificar situações de insegurança e promover soluções.

“Muita coisa mudou e está difícil para a escola ficar sozinha. É preciso que as pessoas se unam, que as escolas possam, de fato, se apropriar das parcerias. Em eleição, se usa a escola pública. Concurso público, a mesma coisa. Desastre natural, onde as pessoas se alojam? Mas essa via não é de mão dupla”, lamenta Heloísa, ao mesmo tempo em que reforça o quanto a união em prol de uma escola mais segura é o caminho. “A escola reclama que em torno dela tem uma série de fatores que influenciam: o bar que vende a bebida, o padeiro que vende o cigarro, o bombonzeiro que vende drogas. Isso são reclamações, não são denúncias formalizadas. Não existe fórmula perfeita contra a violência, mas nós todos temos a responsabilidade de buscar uma solução, uma alternativa para isso”, afirma.

Cipoe quer famílias atentas e mais BOs

À frente da Cipoe há quase dois anos, o major Walber Queiroz corrobora a fala da assessora de Segurança Escolar da Seduc. “Existe uma série de fatores que abrem brecha para a insegurança se instalar no ambiente escolar, e achar que só a PM, ou só a Seduc tem a responsabilidade por isso não é o correto. A gente vê a família querendo ficar de lado, achando que a escola, que já tem tantas missões, tem que resolver até a parte da formação do estudante! Nossa atuação é diferenciada, dependendo do bairro, mas é uma atuação que precisa da ajuda de outras frentes para que tenha uma eficácia maior”, garante.

O maior empecilho para o trabalho da companhia, de acordo com Queiroz, é a falta de estatísticas relacionadas às denúncias feitas com tanta frequência. “Nos baseamos nos registros feitos na polícia. Os professores e funcionários reclamam de escola tal, a gente vai à delegacia ou seccional mais perto e não há registro feito. De que forma estabelecer uma linha de atuação se não temos informação sobre o que acontece? O medo de não ir à delegacia também protege quem comete a violência”, orienta, defendendo que se façam os BOs.

(Diário do Pará)

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