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Domingo, 21/06/2009, 10h12

O belo voo dos Pássaros Juninos do Estado

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O belo voo dos Pássaros Juninos do Estado
Tradição é mantida com muita dedicação por famílias

Uma das mais tradicionais manifestações culturais do Estado, o Pássaro Junino se mantém ano após ano com fôlego renovado. Música, teatro, dança e literatura se fundem nessa expressão ligada intimamente à cultura popular paraense.

“O Pássaro Junino só existe no Pará”, observa o cantor e compositor Júnior Soares, gerente de Artes Literárias e Expressões de Identidade do Instituto de Artes do Pará (IAP), que nos últimos anos tem se dedicado a registrar e incentivar esse tipo de manifestação cultural com toda a sua riqueza e suas particularidades.

Cerca de 21 grupos atuam na Grande Belém. O levantamento foi realizado pelo IAP no ano passado, para a publicação de um inventário dos principais enredos e da história dos grupos atuantes.

Além da tradição presente em algumas famílias, onde a guarda do pássaro é repassada de pai para filho, existem grupos criados recentemente, a partir de oficinas do Pássaro Colibri, de Outeiro, cuja guardiã, Laurene Ataíde, foi contemplada com o Prêmio IAP de Edições Culturais/ 2008. Laurene, assim com os outros guardiões, é uma ardorosa defensora dessa manifestação cultural.

Mas para garantir a sobrevivência dos grupos, é preciso estimular o aperfeiçoamento artístico dos integrantes e a transmissão desse saber popular às novas gerações. Outro ponto importante é garantir que as próprias atividades desenvolvidas pelos grupos possam ser desdobradas em geração de renda. “Esses três pontos têm merecido atenção especial do IAP, para que essa manifestação possa ter continuidade”, explica o presidente do instituto, Jaime Bibas. O mês de maio, por exemplo, foi dedicado a esse folguedo junino, com uma programação de formação e aperfeiçoamento de artistas e brincantes dos cordões e grupos teatrais juninos.

História

Jaime Bibas observa que o Pássaro Junino surgiu no século XIX, época da inauguração do Theatro da Paz, quando era comum a apresentação de companhias européias em Belém. “É provável que a origem do Pássaro Junino esteja ligada a essa cena cultural, pois trata-se de um teatro popular, com características de opereta. É como se fosse uma recriação do que as pessoas assistiam no teatro naquela época”, diz ele

No livro “Pássaros e Bichos Juninos: Históricos e Enredos” estão reunidos os enredos apresentados pelos grupos em 2008. Esse enredo, embora siga a mesma estrutura narrativa, ganha adaptações a cada ano para as apresentações tradicionais durante a quadra junina.

Segundo a doutora em Artes Cênicas Olinda Charone, que assina a apresentação do livro, os espetáculos são denominados Cordão de Pássaros e Bichos, Pássaro Junino ou Joanino, este também com a denominação de Pássaro Melodrama Fantasia. Mas há sutis diferenças entre eles.

“Os cordões de pássaros têm como característica a permanência em cena da maioria dos brincantes, colocados em semicírculo, onde no centro desenvolvem-se todas as cenas. Os brincantes, na hora de suas cenas, dirigem-se ao centro do palco, voltando em seguida para as suas posições de origem”, explica.

Já o pássaro junino ou pássaro melodrama fantasia requer espaço mais apropriado, com palco, camarim e cortina. “Os brincantes durante as apresentações fazem várias trocas de roupas. As cortinas são utilizadas para a finalização de cenas e quadros. Assim, se temos uma cena da maloca e em seguida o bailado, o ato de abrir e fechar a cortina faz a separação imaginária dos ambientes, muitas vezes acompanhado do comentário de um narrador”, complementa.

Dedicação

Com 104 anos de existência, o Pássaro Rouxinol, do bairro da Pedreira, reúne atualmente 55 pessoas de todas as idades. Esse é o primeiro ano da nova guardiã do grupo, Wanderlene Rodrigues, que herdou do pai, o compositor de samba-enredo Wanderley Rodrigues, a missão de gerenciar o Pássaro Junino. “É muita responsabilidade”, diz ela, ainda não acostumada ao ritmo da nova função.

Wanderlene participa do grupo desde os dez anos de idade, quando começou a atuar como porta-pássaro. “Eu sempre estive perto do Pássaro Junino; via aquela movimentação na minha casa e gostava”, diz a moça. O Rouxinol foi criado por sua bisavó, depois passado para o pai, mas este ano corria o risco de não mais sair às ruas. “Meu pai já está cansado, por isso o grupo talvez nem saísse. Eu mesma estou achando tudo muito ‘puxado’, mas se Deus quiser vou tocar pra frente”.

Um outro grupo antigo que luta para manter a tradição é o Pássaro Tem-Tem, do Mestre Antônio Ferreira, que existe há 79 anos no bairro do Guamá. Antônio conta que os ensaios começam em março, logo após o Carnaval, e seguem até junho, mas o grupo só consegue se apresentar umas três ou quatro vezes durante a quadra junina.

“Brigamos pela valorização da cultura popular, por oportunidades de nos apresentarmos durante o ano todo, e não só no mês de junho”, diz Antônio, para quem conduzir um Pássaro Junino não é brincadeira. “As pessoas precisam entender que o Pássaro Junino é tipicamente paraense. O melodrama fantasia, por exemplo, só existe em Belém”, defende.

Ganhador dos prêmios Mestre Duda (Ministério da Cultura) em 2007 e Adelermo Matos (Secult) em 2008, o Pássaro Tem-Tem investe na produção do elenco. Segundo Antônio Ferreira, somente este ano os gastos ultrapassaram R$ 15 mil. Para ele, no entanto, manter essa tradição é prioridade. “Moramos numa área de risco, e o Pássaro Junino envolve toda a comunidade. Isso é muito importante”, ressalta, acrescentando que o núcleo se desdobra ainda em grupo parafolclórico, Pastorinhas, Folias de Reis e outras manifestações ligadas à cultura popular.

As dificuldades não são menores para o Pássaro Uirapuru, criado há 42 anos, no bairro do Umarizal. Carlos Alberto Barbosa, guardião do grupo, diz que somente o figurino do porta-pássaro custa cerca de R$ 1 mil. “Esse dinheiro sai de rifas, de festas, do nosso próprio salário. Nem sento para ver quanto gastei”, comenta o funcionário público aposentado.

Carlos Alberto recebeu o Pássaro Uirapuru há onze anos, das mãos do amigo Jorge “Tico-Tico”. “Fiz da minha casa um ateliê, e hoje estamos construindo um barracão para a comunidade”, conta. Assim como muitos outros guardiões e integrantes de Pássaros Juninos e Cordões de Bichos, ele mantém uma relação de amor com o grupo. “É como o amor pelos pais: não acaba nunca”. (Diário do Pará)

Comentários Recentes

  • Claudio Humberto disse: Comentário postado em 21/06 Domingo às 21:56h "Gostaria de sugerir à TV Educativa, que transmitisse as apresentações destes grupos Juninos, afim de que toda a sociedade paraense pudesse tomar conhecimento e se deleitar com com estas recreações, visto que tem uma grande quantidade de pessôas, que por encontrar-se enfermas ou idosos, que não possuem a facilidade de locomoção, cuja exposição televisiva, se tornaria até uma terapia para seus males e para suas solidões.
    Que a direção da TV Educativa, estude esta possibilidade para dar um pouco de prazer aos incapazes de poderem assistir estes belos espetáculos, ao vivo e nos locais em que se apresentam."
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