Terça-feira, 20/04/2010, 11h07
Localizada a 36 quilômetros do centro de Bragança, Ajuruteua conta com quase nove mil metros de praia de frente para o Atlântico. A agitação das temporadas de verão não apagou da memória as lembranças do lugar, quando só se chegava à ilha de barco.
A praia de Ajuruteua é dividida em três partes: a orla de frente para o mar que, antes da conclusão da estrada, era chamada de Campo do Meio; a vila do Bonifácio, antiga área frutífera da ilha onde atualmente vive uma comunidade; e a vila dos Pescadores, primeiro local habitado pelos nativos e descoberto pelos veranistas. As três áreas são divididas por canais.
A estrada que liga o centro de Bragança a Ajuruteua é o primeiro item a ser desfrutado. A rodovia atravessa 30 quilômetros de manguezal, sendo um atrativo à parte. Entrecortada por seis furos que enchem e vazam de acordo com o horário da maré, a via que corta a floresta de mangue também conta com paisagens compostas por campos, lagos e restingas, habitadas por garças e guarás. Não bastassem as opções contemplativas, a estrada dispõe de um espaço cativo para os apreciadores de pesca esportiva: a ponte do Furo Grande, com adaptação nas laterais para acomodar aficionados pela diversão.
A calmaria de Ajuruteua faz parte do cotidiano do lugar, quando não é julho, réveillon e finais de semana prolongados, temporadas em que o pedaço mais badalado do litoral bragantino chega a receber até 10 mil pessoas. Ao longo dos quase nove quilômetros de extensão, pequenas casas e pousadas, sendo a grande maioria construída em madeira, compõem a urbanização espontânea, iniciada a partir de 1985.
Os restaurantes rústicos, que funcionam de ponta a ponta da orla, servem uma diversidade de pratos à base de mariscos, sem que falte a farinha de mandioca produzida em Bragança, famosa internacionalmente pela qualidade.
HISTÓRIA
Até 1985 só se chegava a Ajuruteua de barco. Até o início da década de 80, se saía do cais de Bragança. Com o início da construção da estrada, a viagem passou a ser encurtada. Ia-se de carro até a última ponte construída, onde se pegava uma embarcação contactada através de rádio -na época não existia celular, nem telefones públicos na ilha como há atualmente. Ajuruteua tem duas histórias: uma, antes da estrada, e outra, depois. Ambas maravilhosas.
Quando se chegava de barco, o encanto era à primeira vista, ao deparar com o coqueiral porto que, além de servir para atracação dos barcos dos moradores, era o ponto de encontro para assistir o pôr-do-sol e dar início às serestas ao redor das fogueiras. Os passeios de casquinhos em frente ao porto também são inesquecíveis, para os que aproveitaram esse período extremamente bucólico, que rendeu canções, poesias, pinturas e fotografias colecionadas com muito carinho pelos bragantinos. A propósito, não semente nesta fase mais romântica, mas em toda sua existência, Ajuruteua tem sido fonte de inspiração para muitos artistas, especialmente aos músicos que, frequentemente, cantam a praia de Bragança em festivais de âmbitos municipal e estadual.
POR QUE SE ORGULHAR?
Ajuruteua tem o recurso turístico natural mais expressivo de Bragança. Com sua beleza nativa, a praia atrai turistas dos mais diversos lugares gerando autoestima e recursos para os moradores, que muito se orgulham de fazer parte da Amazônia Atlântica, graças à localização privilegiada.
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