Quinta-feira, 22/04/2010, 08h29
Um som que parte das cordas e se torna indispensável no conjunto de uma orquestra musical. Para muitos, pode até mesmo parecer que saiu dos céus e dos dedilhos dos deuses. Assim é o violoncelo, instrumento de apenas quatro cordas e um arco, que de tão simples em sua estrutura torna-se grandioso, principalmente quando é tocado por talentosos amantes da música.
Tantos rodeios são necessários, sim, para encher o leitor da expectativa típica dos fãs quando aguardam o momento dos ídolos se apresentarem. Prepare-se que a sirene de Moliére acaba de soar pela terceira vez, as luzes da plateia se apagaram e apenas o palco está iluminado: é hora de começar o show da Orquestra Jovem de Violoncelistas da Amazônia.
Criado em 1998 pelo músico e professor Áureo de Freitas, o grupo está vinculado à Escola de Música da Universidade Federal do Pará (Emufpa), dentro do programa Cordas da Amazônia, o qual também desenvolve outros projetos educativos voltados para a música e a inclusão social. É a única orquestra profissional juvenil especializada nesse instrumento em todo o Brasil. E o melhor disso tudo é que um de seus maiores objetivos é incluir crianças e adolescentes na música, como forma de incentivar o desenvolvimento de talentos.
“A orquestra proporciona aprendizado com aulas de música e até a oportunidade de uma carreira profissional para seus integrantes. E o interessante é que não detectamos a evasão escolar dos meninos que fazem parte do projeto”, comemora Áureo de Freitas, doutor em música pela University of South Carolina (EUA) e também coordenador do grupo. Quando ele pensou em montar a OJVA, em 1997, não havia demanda de crianças e adolescentes violoncelistas no Conservatório Carlos Gomes, em Belém, tampouco a presença de músicos paraenses superava a de estrangeiros, nos festivais internacionais locais.
Os integrantes têm idades entre 12 e 18 anos, divididos em 16 violoncelistas, dois guitarristas, um baixista e um baterista. Além disso, conta ainda com um técnico de som e seis produtores. Não existe uma seleção para ingressar no grupo. A oportunidade é dada a todos os alunos que participam do Cordas da Amazônia.
Esses músicos não se prendem a preconceitos musicais e passeiam pelo popular com maestria e sem perder a pose. Aliás, essa mescla dá o que falar e vem agradando muita gente considerada de gosto refinado, como o público europeu, por exemplo, herdeiro direto da música clássica. Isso porque a orquestra de violoncelistas vem realizando shows ao lado de bandas de várias vertentes do rock, como o pop e até o heavy metal
Trajetória internacional
Dois dos maiores shows da OJVA aconteceram em 2009, com a La Pupuña. O primeiro, pasmem os roqueiros e axemaníacos de plantão, foi em cima de um trio elétrico, em pleno Guamá e depois sobre uma balsa elétrica, tendo como plateia os riberinhos da Ilha do Combu. Deve ser por isso que seus componentes chamam tanta atenção da mídia do exterior. Já participaram de programas de rádio e televisão da BBC, de Londres; National Public Radio, dos Estados Unidos, além de canais de grande audiência no Brasil. Fora isso, centenas de publicações impressas e veiculadas na internet. Além de se apresentarem pelo Pará, já estiveram em outros Estados e também em países como a Holanda (2004), Estados Unidos (2002) e agora preparam-se para encantar a China, durante 29ª Conferência da Sociedade Internacional de Educação Musical (ISME), em Pequim, entre os dias 1º e 8 de agosto.
Por que se orgulhar?
A Orquestra Jovem de Violoncelistas da Amazônia é a única do Brasil especializada nesse tipo de instrumento. Formada por crianças e adolescentes paraenses, promove o aprimoramento musical de seus componentes, dando a eles a oportunidade de se tornarem músicos de renome nacional e até internacional. Por isso, já revelou diversos talentos que hoje se aprimoram e trabalham em grandes centros musicais, fora do país.
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