Terça-feira, 27/04/2010, 10h02
A imagem da capitão-de-cabotagem Hildelene Lobato Bahia em frente ao petroleiro Carangola, da frota da Transpetro, não retrata apenas uma desbravadora dos mares, mas é representativa do grau da responsabilidade da paraense na Marinha Mercante, como primeira e única mulher a ser comandante de um navio mercante no país - posto mais alto da hierarquia marítima. O feito histórico aconteceu em setembro do ano passado, quando a icoaraciense recebeu a estrela do comando do Carangola e assumiu o posto, até então só ocupado por homens.
Hildelene tem, sob sua inteira responsabilidade, uma embarcação de grande porte para cabotagem. O navio, com capacidade de 18 mil toneladas de porte bruto, transporta derivados escuros de petróleo. Ao assumir o Carangola, um sonho alcançado. “Sinto-me realizada profissionalmente e feliz por estar vivendo essa nova fase da Marinha Mercante brasileira”. Para a conquista, Hildelene disse precisar apenas “controlar o medo”. O mais difícil para a função, segundo a comandante, “é o processo de tomada de decisões. Além disso, saber gerenciar o navio mantendo sempre a minha tripulação motivada.”
Quando criança, o sonho de Hildelene era ser bancária. Chegou a concluir o curso de Ciências Contábeis, pela Universidade Federal do Pará (UFPA). A prova para o Centro de Instrução Almirante Braz de Aguiar (Ciaba) da Marinha foi feita apenas para acompanhar o irmão, que também havia se inscrito. Hildelene foi aprovada em 24º lugar e passou a integrar o primeiro quadro feminino do Ciaba em Belém. Ela teve o desafio, juntamente com mais 13 alunas de máquinas e de náutica, de quebrar um paradigma e a resistência dos colegas. Adentravam ali num universo que ainda era exclusivamente masculino no Brasil.
VIAGENS
Hildelene também foi uma das primeiras mulheres a trabalhar na frota da Transpetro. Em uma primeira viagem, era a única figura feminina a bordo do Lorena. No navio, passou sete anos que marcaram seu pioneirismo na carreira marítima. Lá, tornou-se segundo e primeiro piloto, a primeira mulher no Brasil a chegar a imediato – segundo cargo na hierarquia de um navio – e a primeira capitã de cabotagem.
Quando esteve no Bahrein, no Golfo Pérsico, Hildelene lembra que os muçulmanos ficaram surpresos ao verem uma mulher no comando do processo. “Mas eles ficaram tranquilos quando constataram que eu tinha qualificação para coordenar aquela ação”, conta, orgulhosa. Antes do Carangola, Hildelene já havia navegado 486 mil milhas, duas vezes e meia a distância da terra à Lua.
Da terra natal, o sentimento comum à maioria dos paraenses que está longe: saudade. “Além da minha família e meus amigos, sinto saudades das comidas típicas e daquela chuvinha sempre depois do almoço”.
No mar, Hildelene encontrou o sucesso na profissão e no amor. Há seis anos ela é casada com o também marítimo Paulo Roberto. Os dois se conheceram a bordo em 2002. Hoje, a paraense carrega novos sonhos, tornar-se capitã de longo curso e ser mãe.
TRAJETÓRIA DE HILDELENE
1997: Forma-se em Ciências Contábeis pela Universidade Federal do Pará.
É aprovada em 24º lugar no concurso para a Escola de Formação de Oficiais da Marinha Mercante.
Integra o primeiro quadro feminino do Centro de Instrução Almirante Braz de Aguiar (Ciaba), em Belém.
2001: Contratada pela Transpetro. Embarca a bordo do navio Lorena.
Torna-se segundo e primeiro piloto, a primeira mulher no Brasil a chegar a imediato – segundo cargo na hierarquia de um navio – e a primeira capitã de cabotagem.
2003: Passa no concurso da Transpetro, se integrando definitivamente para o quadro
2009: Assume o posto de comandante do navio Carangola.
CURIOSIDADES
A Transpetro é a empresa de logística do Sistema Petrobras, que opera a maior frota de petroleiros do
Hemisfério Sul.
Na década de 70, a indústria naval do país era a segunda maior fabricante de navios de grande porte
Hoje, o Brasil ressurge nos radares do mercado mundial da indústria naval e já possui a quinta maior carteira de
encomenda de petroleiros.
A bordo, na Transpetro, mais de 100 mulheres desempenham diferentes funções. Além das que
atuam na função de imediato, há oficiais de máquinas e de náutica, auxiliares de saúde, bombeadoras, eletricistas e auxiliares de convés.
Fonte: Transpetro
Por que se orgulhar?
Hildelene da Costa Bahia é a primeira mulher a comandar um navio petroleiro, posto mais alto da hierarquia marítima, marcando um novo momento da história da Marinha Mercante. Se transformou num símbolo de ousadia, coragem, competência e liderança.
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