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Segunda-feira, 03/05/2010, 09h59

Marajó: ilha de muitos encantos

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Imagine um lugar para onde você possa fugir e contemplar o sol, o céu azul e outras belezas naturais da Amazônia. O cantor e compositor Gilberto Gil tinha mesmo razão ao descrever dessa forma a Ilha de Marajó, no Pará, na música “Vamos fugir”, que estourou no Brasil inteiro com a interpretação do baiano e, décadas depois, ao som da banda mineira Skank. Refúgio de quem procura tranquilidade, o Marajó esconde mistérios que vão além da paisagem. É um dos mais preciosos berços da cultura indígena do Estado e da história da colonização portuguesa no Brasil.

Para começar, Marajó é a maior ilha fluvial do mundo, ocupando uma extensão de 50 mil m², num espaço maior até mesmo que os Estados do Rio de Janeiro, Alagoas e Sergipe. Possui 16 municípios: Afuá, Anajás, Bagre, Breves, Cachoeira do Arari,Chaves, Curralinho, Gurupá, Melgaço, Muaná, Ponta de Pedras, Portel, Salvaterra, Santa Cruz do Arari, São Sebastião da Boa Vista e Soure.

Com uma beleza natural que se destaca ao lado de arquipélagos como o de Fernando de Noronha (PE), o Marajó inspirou e inspira artes como a literatura e o cinema. O escritor paraense Dalcídio Jurandir, nascido em Ponta de Pedras, em 1909, imortalizou sua terra natal ao escrever romances que hoje são considerados grandes obras da literatura universal. Líbero Luxardo, conhecido como o Cineasta da Amazônia, por adotar o Pará como cenário para construir sua obra cinematográfica, não hesitou em filmar o longa “Marajó - barreira do mar” (1967).

O clima marajora é ameno e ventilado porque a ilha é banhada ao norte e leste pelo Oceano Atlântico e pelo rio Amazonas; e ao sul pelos rios Pará e Tocantins. Essa natureza marítima favorece, além da pesca, a prática de esportes radicais como o surf na Pororoca, fenômeno natural produzido pelo encontro das correntes fluviais com as águas oceânicas. O município de Chaves, à leste, nos últimos anos, sediou o Campeonato Paraense de Surf na Pororoca, realizado entre as ilhas Caviana e Mexiana, onde há relatos de ondas de até oito metros de altura.

Outro destaque e um dos maiores símbolos do Marajó está na criação de búfalos, espécie de gado oriunda de países banhados pelo mar Mediterrâneo, e que se adaptou perfeitamente aos rios, igarapés e campos alagados. O rebanho bubalino marajoara é o maior do país e um dos primeiros do mundo, com cerca de 700 mil cabeças. Os derivados do leite e a carne desses animais, de alto valor nutritivo e baixa caloria, representam algumas das iguarias culinárias típicas da região.

Os dois municípios mais populares do Marajó, onde o turismo é mais desenvolvido são Soure e Salvaterra, a quatro horas de barco, partindo do Cais do Porto, em Belém. O passeio proporciona visita às praias de água doce e fazendas de criações de búfalos.



MUSEU

Cachoeira do Arari, um pouco mais distante, além das belas praias, é sede do Museu do Marajó, fundado em 1972, pelo padre italiano Giovanni Gallo, um dos principais divulgadores da cultura marajoara no mundo. No museu, há exposições permanentes de objetos que levam os visitantes a descobrir e entender toda a origem da região, bem como a formação do caboclo paraense.

O acervo possui também peças pré-históricas, usadas pelos primeiros habitantes do lugar: os índios, sobretudo os pertencentes à tribo dos Aruãns, cuja presença é marcante nos municípios situados ao nordeste e leste da ilha. “A identidade da cultura marajoara não está perdida, ela precisa sim, é ser enxergada e preservada. Basta nos despojarmos e adentrarmos no Marajó, que, logo, logo, seremos ‘mundiados’ por ela”, diz Ana Amélia Maciel.



Há muitas especulações sobre as primeiras visitas dos colonos portugueses à Ilha de Marajó. Alguns historiadores dizem que a região foi a primeira do território brasileiro a receber os europeus, por volta de 1498, pouco antes do descobrimento do Brasil. O cartógrafo e navegador lusitano Duarte Pacheco Pereira não teria dado importância à ilha, a qual acreditara fazer parte do território espanhol, conforme os limites imposto pelo Tratado de Tordesilhas.

Quando os primeiros colonos começaram a se aventurar naquela região, a cultura da cerâmica marajoara já era produzida pelos indígenas. Vasilhas, potes, urnas funerárias, brinquedos, estatuetas, vasos, pratos, tangas. Estes são alguns dos objetos fabricados em cerâmica, cujo traço tradicional é caracterizado pela pintura vermelha ou escura, sobre fundo branco ou cor de barro. A origem dessa arte data do período pré-colonial, que vai de 400 a 1400 d.C, e foi descoberta em 1871.

“A argila em abundância no território marajoara propiciou, aos seus habitantes indígenas, o desenvolvimento da produção de cerâmicas em que deixaram registradas suas características”, ressalta Ana Amélia Maciel, autora do livro “O Manto do Marajó” (Ed. Ética/2000).

O maior acervo de peças de cerâmica marajoara está presente hoje no Museu Paraense Emílio Goeldi, além do Museu do Marajó, em Cachoeira do Arari. Há exemplares antigos também no Museu Histórico Nacional, no Rio de Janeiro, no Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo, na capital paulista, e no Museu Americano de História Natural, em Nova Iorque.



COMO CHEGAR

Saindo de Belém, quem preferir viajar de carro deve usar a balsa que diariamente sai do porto de Icoaraci, com destino ao Porto Camará, de onde é possível pegar estrada para diversos municípios marajoaras. Outra opção é ir de barco até Soure ou Salvaterra, a partir do Terminal Hidroviário, na Cidade Velha. Também há barcos que fazem viagens para outros municípios da ilha, a partir do portos localizados na avenida Bernardo Sayão. Mais informações: Paratur - (91) 3212 - 0575/www.paraturismo.pa.gov.br.



POR QUE SE ORGULHAR?

O Marajó é a maior ilha fluvial do mundo, berço da cultura indígena amazônica e ainda região onde personalidades mundialmente conhecidas, como Dalcídio Jurandir e o estilista Dener Pamplona de Abreu, este considerado o criador da moda brasileira, vieram ao mundo. Tem um dos maiores rebanhos bubalinos internacionais, reúne exemplares únicos de fauna e flora e sua tradição na fabricação de objetos em cerâmica é admirada em todo o planeta. O Marajó inspirou, além de livros de Dalcídio e filmes de Líbero Luxardo, músicas como “Destino Marajoara”, composta por Nilson Chaves.

Comentários Recentes

  • Ana Amélian Barros de Araújo Maciel disse: Comentário postado em 11/07 Domingo às 12:35h "Parabéns pela matéria Marajó: ilha de muitos encantos, que a jornalista Jumara realizou pesquisa para trazer à baila algumas cidades dentre elas a cidade de Chaves, quase sempre esquecida quando se fala do Marajó. A matéria lembra que são 16 municípios que formam esse arquipélago de ilhas e de beleza natural. Chaves é santuário natural, lá, tudo de natural é demasiadamente belo. Quando escrevi O MANTO DO MARAJÓ, e depois NATUREZA DESNUDADA, e depois FOLHAS DE CAMITIÊ, foi exatamente para comunicar os encantos de Chaves. Chaves de tardes serenas, quando caminho te encontro, nos olhos dos meus poemas. Parabéns ao Diário do Pará por saber mostrar através de pesquisa bibliográfica também, o que é nosso. Parabéns Jumara, você sabe o que é o Marajó."
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