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Sexta-feira, 07/05/2010, 22h49

Lúcio Mauro: o rei das boas gargalhadas

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Poucos sabem dar o ar da graça com tanta maestria, capaz de deixar públicos do Brasil afora tão à vontade para soltar uma boa gargalhada. E dela, Lúcio de Barros Barbalho, o Lúcio Mauro, é mais do que especialista. Poucos sabem, ainda, que os primeiros ares respirados por este foram os quentes e úmidos de Belém do Pará, também cenário do seu primeiro momento de paixão com a arte de interpretar. Da vontade de se tornar um ator à sua consagração no mundo das artes – seja ela TV, cinema ou teatro - foram décadas de muita história boa pra contar. Daria até mesmo uma boa biografia encenada pela sétima arte ou por uma minissérie de televisão, tamanho o sucesso deste ser papa-chibé.

O grande artista da voz rouca e de fácil percepção nasceu no dia 14 de março de 1927. Herdou como um bom pisciano a sensibilidade extrema e a criatividade absurda. Já atuava em uma companhia de teatro estudantil da capital paraense em meados dos anos 50 quando, com pouco mais de 20 anos, foi convidado para trabalhar na companhia teatral do ator Mário Salaberry. Apesar de ter começado a sua carreira profissional em Recife, foi na sua terra natal que nasceu a paixão pela interpretação. “Foi em Belém que veio a inspiração, que eu senti que era mesmo o que eu queria. O amor, o incentivo, nasceu neste lugar”, revelou Lúcio.

O grupo faria uma turnê por algumas cidades, incluindo Recife (PE), onde Lúcio pretendia prestar vestibular para Direito e seguir para o Rio de Janeiro. Um acidente fatal para Mário, porém, mudou a trajetória planejada, o que fez Lúcio Mauro voltar para Recife, onde foi hospitalizado. Lá ele conheceu o comediante Barreto Júnior, dono de uma companhia de teatro com sede na cidade, que se apresentava no Norte e no Nordeste do Brasil. Foi convidado para fazer parte do grupo e nele começou a sua carreira de comediante. Seu companheiro de quarto na pensão em que morava era o humorista Chico Anysio, que o levou para trabalhar na Rádio Clube de Pernambuco.

Após nove anos em Recife, entre diversas peças de repertório nacional, com a inauguração da TV Rádio Clube de Pernambuco, Lúcio Mauro estreou seu primeiro programa humorístico na televisão, o “Beco sem saída”, onde contracenava com o comediante e dublador José Santa Cruz. Ficou no emprego até ser chamado por Walter Clark para trabalhar na TV Rio, no Rio de Janeiro, juntamente com sua mulher na época, a atriz Arlete Salles.

Após algum tempo na TV Rio, Lúcio Mauro foi trabalhar na TV Tupi, período em que atuou em vários quadros humorísticos, contracenou com Bibi Ferreira, Fernanda Montenegro, Sérgio Britto, Yoná Magalhães, Sérgio Cardoso, além de outros mestres no teleteatro. Também estrelou, ao lado de Arlete Salles, o programa de humor e música que levava o seu nome: “I love Lúcio”. Em 1966, estreou na TV aberta ao lado de Jô Soares, Agildo Ribeiro, Paulo Silvino e outros humoristas, sob direção de Augusto César Vannucci. De lá pra cá, atuou como ator e diretor em dezenas de programações, entre novelas, quadros humorísticos, séries, etc. Fez diversos tipos de papel, da sua especialidade – a comédia – ao drama.

Estreia no teatro é marco na carreira

Consagrado como um dos melhores atores do país, tem muitos momentos marcados. Porém, um ele considera o melhor. “O mais marcante foi quando eu estreei profissionalmente, já com uma companhia de teatro no Brasil. Foi no teatro José de Alencar, em Fortaleza, em 1958. Eu fazia parte do elenco de uma comédia francesa ‘Ele, ela e outro’”, revelou. Apesar de ser um comediante nato, ele diz gostar mais da profundidade que outros gêneros o oferecem. “A comédia é a essência da arte de representar qualquer texto! Foi através da comédia que a arte de interpretar começou, na Grécia antiga. Tudo começa na comédia, assim como eu. Apesar de eu ser considerado um comediante, sempre gostei mais de um teatro mais sério, de texto forte. Fazer comédia é o mais difícil de todos”.

Lúcio Mauro também tem grandes passagens pelo cinema, onde fez, entre outros, Terra sem Deus (1963), de José Carlos Burle; 007 ½ no carnaval (1966), de Victor Lima, onde interpretou o lendário Zé das Medalhas; Redentor (2004), de Claudio Torres; e Cleópatra (2008), de Júlio Bressane. Em 2008, o humorista estreou a peça Lúcio 80-30, dividindo o palco com os filhos Lúcio Mauro Filho, Alexandre e Luly Barbalho.

“Fui o primeiro paraense a dizer ao público que era do Pará em uma época que era moda dizer-se carioca. Sempre fiz questão de dizer que era caboclo, que eu amava as minhas raízes e continuo amando. Foi em lugares como o Theatro da Paz que eu comecei a sentir as minhas primeiras emoções. O Brasil precisa muito mais do sorriso do que do drama e eu fico muito feliz de participar da vida cultural do Pará, falando das coisas da gente, da nossa pupunha, do Ver-o-Peso, das grandes coisas nossas. Por isso tenho que ir ao Pará pelo menos três vezes por ano”, afirmou.

 

Por que se orgulhar?

Lúcio Mauro Filho é, em um consenso nacional, um dos melhores atores do Brasil e um dos mais conceituados humoristas brasileiros. Poucos paraenses chegaram onde ele chegou e com a intensidade que veio a conquistar públicos de norte a sul do país.

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