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Orgulho do Pará
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Quarta-feira, 12/05/2010, 11h26

O que se leva do Pará?

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Reza a lenda que para identificar um paraense em qualquer aeroporto do mundo basta ver se ele está com um isopor ao lado. Tal afirmação pode até mesmo ser exagerada, mas tem um teor de verdade. Não é em qualquer lugar do Brasil que é fácil encontrar pessoas indo e vindo com isopores debaixo dos braços ou no carregador de malas como o Aeroporto Internacional de Belém, Val de Cans - Julio Cézar Ribeiro. Tal hábito já até fez com que uma verdadeira estrutura seja montada dentro da ponte aérea da capital para aqueles que porventura esquecerem os seus isopores repletos de comidas típicas da região possam correr atrás do prejuízo. Tudo isso para que tanto paraenses quanto pessoas de fora tenham a possibilidade de usufruir das maravilhas que só aqui se tem, como o “verdadeiro” açaí, o tucupi, os bombons de frutas amazônicas, a farinha d’água e até mesmo os sorvetes da terra, pimentas, blusas com dizeres típicos e cerâmicas marajoaras.

Saudade é pouco quando se trata de Pará. É o que costuma dizer a publicitária Camila Fraga que, para tentar se manter um pouco mais próxima dos costumes da região, vive ligando para os familiares levarem para ela um verdadeiro carregamento de comidas típicas, que ela carinhosamente chama de “Kit sobrevivência de Belém”. “Sinto falta daquele tacacá em qualquer esquina, do caranguejo no toc-toc, tapioquinha de Mosqueiro, açaí, as peixarias, um carimbó na beira do rio, ir sozinha pro bar e ter a certeza de encontrar alguém conhecido e principalmente da farofa de Belém, aqui nós não encontramos nenhuma que chegue perto. A farofa do Pará é a melhor do Brasil. Apesar de ter algumas dessas coisas aqui em São Paulo, tudo sempre é muito caro (em torno de R$12 o litro do tucupi, por exemplo) e não encontramos facilmente. Por isso vivo pedindo desesperadamente o tal kit, que é composto de tucupi, jambu, maniçoba, peixe, açaí, goma de tapioca, polpa de cupuaçu, pupunha, e claro, muita farinha. Como moro com amigas que também são paraenses, as comidas congeladas nós vamos consumindo aos poucos para nunca ficarmos sem nada. Mas farinha comemos quase todo dia, por isso acaba rápido. Já houve vezes em que acumulamos cinco isopores aqui em casa”, revelou.

Pensando nisso, algumas lojas de dentro do aeroporto de Belém já se prepararam para não deixar que os passageiros deixem de levar as delícias do Pará por conta de um eventual esquecimento. É o caso de uma sorveteria, que além de vender sorvetes com sabores regionais, ainda oferece aos seus clientes uma variedade de “encomendas”, como sacos de farinha d’água e tapioca, além de isopores de diversos tamanhos e um freezer cheio de polpas de frutas congeladas. “A nossa culinária vende muito. Todo tipo de gente compra, desde o gringo ao paraense nato. Só que quem compra mais é gente de fora, pois os paraenses se programam com antecedência, já vão ao aeroporto com as guloseimas preparadas para embarcar. Os turistas não. Eles não sabem onde se compra e às vezes não podem perder tempo indo nesses lugares comprar. Aí deixam para fazer isso aqui”, revelou a atendente da empresa, Wangracy Miranda.

Já em outra loja, especializada em lembrancinhas do Pará, os bombons são campeões de venda. “Não tem jeito, a cara daqui são os bombons, seguidos das cerâmicas marajoaras e das blusas temáticas, que também saem muito. Além dos turistas, os paraenses sempre levam lembranças aos seus parentes e amigos de fora quando viajam. Mas até por causa da diferença de preço das lojas dos aeroportos quem compra mais são as pessoas de fora”, explicou a vendedora da loja, Gabriele Batista. O bioquímico Rômulo Fernandes é um exemplo de passageiro que sempre sai do Pará com um isopor. “Venho todos os meses para Belém visitar meus pais, moro em Macapá. Estou levando camarão seco, mas costumo levar também tucupi e cupuaçu. Os bombons também não podem faltar. Essas guloseimas fazem o maior sucesso onde eu moro”, afirmou.

A artista plástica Lia Costa brinca que já é quase uma contrabandista de comidas típicas, pois já está acostumada a levá-las para diversos lugares do Brasil e do mundo, como Portugal, França, Rio de Janeiro e São Paulo. “As pessoas já ficam esperando a comida paraense. Eu levo essas coisas pra tudo quanto até porque sempre vou pra casa de paraense e a nossa culinária é muito apreciada. Quando eu viajo, costumo fazer um menu paraense. Agora estou ficando mais prática e já levo a comida sempre pronta, pois sou eu que cozinho. Levo caranguejo, camarão, tucupi, o pato já assado, as polpas de frutas para fazer os doces e as bebidas, o jambu, o pirarucu escaldado... Já estou tão expert que a maniçoba e o vatapá já vão prontos, congelados. As farinhas também não podem faltar, tanto a d’água quanto a de tapioca. A última coisa é levar as pimentas frescas congeladas e lá eu faço os molhos maravilhosos de pimenta. É um verdadeiro sucesso e os amigos conterrâneos adoram. Pra outros países eu levo camarão e carne secos e enlatados, como cupuaçu em caldas. Geralmente o anfitrião é o dono da comida e quer guardar um pouquinho pra ele, pro dia seguinte. Uma vez perguntei para uma comissária de bordo do Rio de Janeiro onde é que os passageiros de Belém poderiam pegar as suas malas e ela respondeu: Bem ali, onde está cheio de isopores”.



Ranking de coisas que se levam do Pará?



1 - Polpa de frutas (açaí, taperebá, cupuaçu, etc.).



2 - Farinhas D’Água e de Tapioca.



3 - Jambu, tucupi e outros derivados da mandioca.



4 - Camarão seco.



5 - Maniçoba congelada.



7 - Sorvete de frutas regionais e tapioca.



8 - Bombons de castanhas e frutas regionais.



9 - Blusas com dizeres típicos. Ex: “Égua”.



10 - Cerâmicas marajoaras.





Por que se orgulhar?

O paraense possui um hábito que representa bem o sucesso de sua própria culinária: a de levar as suas comidas para diversos lugares do Brasil e do mundo. Além de divulgar as guloseimas, ainda consegue suprir as necessidades de amigos conterrâneos, que querem matar as saudades.

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  • De olho disse: Comentário postado em 12/05 Quarta-feira às 21:38h "Acho que faltou peixe ..."
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