Terça-feira, 18/05/2010, 08h59
Um homem das letras e que foi o responsável pela formação de dezenas de intelectuais, escritores, poetas, artistas, juristas e outros tantos paraenses de renome. Professor de Literatura, astuto e dedicado ao ofício, o paraense Francisco Paulo Mendes povoou o imaginário de seus jovens alunos. Era conhecido nas salas de aula como o “mestre que sabia de tudo”. Admiração de estudantes à parte, “Chico Mendes”, como era chamado pelos amigos - entre eles o filósofo Benedito Nunes - sabia dar valor à prosa e à poesia e por isso é lembrado até hoje por várias gerações.
Além dos colégios onde lecionava, Mendes era reconhecido crítico. Falava da mediocridade dos costumes, da má política, seus olhos estavam atentos para o mundo. Colecionava amigos com os quais campartilhava seus pensamentos. O poeta Mário Faustino, o advogado Clóvis Malcher, o poeta, advogado, professor e letrista Ruy Barata e o casal Benedito e Maria Sylvia Nunes faziam parte desse seu círculo afetivo.
Aliás, conhecer um pouco da vida de Francisco Paulo Mendes é como revirar o baú da história e lembrar de uma Belém glamourosa dos anos 40 e 50, em seus prédios, hotéis, cinemas. O professor era assíduo frequentador do Café Central, no Central Hotel, situado à avenida 15 de Agosto (hoje Presidente Vargas). Passava lá horas a fio jogando conversa com os amigos intelectuais. Nesse mesmo espaço encontrou uma amiga respeitável, a escritora Clarice Lispector, quando morou em Belém por seis meses, no ano de 1944, acompanhando o marido diplomata Maury, em missão no Estado.
Mendes nasceu durante o ciclo da borracha, em Belém, no dia 10 de janeiro de 1910. Teve quatro irmãos, pertencia a uma família que fortemente o incentiva à leitura, à escrita, à literatura e à arte. Para sua formação, foram essenciais as horas que passava, ainda menino, na biblioteca particular do avô, o desenhista, pintor e escritor João Affonso do Nascimento (
1855-1924) , autor do livro “Três séculos de moda”, uma análise das relações sociais e da moda da época, que mais tarde seria reeditado por ele, através da Universidade Federal do Pará.
A mãe, Arabella Mendes, e suas tias maternas também eram dadas às letras. Através delas o menino Francisco Paulo ficava por dentro do que havia de mais recente na literatura francesa e, talvez, dessa influência vinha seu jeito elegante de vestir e de gesticular.
Antes de dedicar-se à profissão de professor, bacharelou-se na Faculdade de Direito do Pará, onde foi bibliotecário. Lecionou Português, Literatura Brasileira e Portuguesa no Instituto de Educação do Pará (IEP), colégios Moderno, Nazaré, Paes de Carvalho, Gentil Bittencourt, Santo Antônio e na Escola Normal, onde ocupou, em 1945, a vaga deixada por Paulo Maranhão, após defender a tesa “Raízes do Romantismo”, considerada hoje um de seus mais importantes escritos.
No meio acadêmico, foi fundador do curso de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade Federal do Pará; professor de Teoria e História do Teatro no curso de Formação de Ator, no extinto Serviço Universitário de Teatro (atual Escola de Teatro e Dança da UFPA); e deu aulas de História da Literatura e das Artes, no curso de Biblioteconomia, também da UFPA.
Na imprensa teve destaque ao colaborar com as revistas Novidade e Terra Imatura, além de dirigir no período de 1946 a 1952, o suplemento literário do jornal A Folha do Norte. Após ter influenciado gerações de intelectuais, listando por alto nomes como os poetas Ruy Barata, Paulo Plínio de Abreu, Mário Faustino e Max Martins; o escritor Haroldo Maranhão e o filósofo Benedito Nunes, entre tantos, Mendes morreu aos 89 anos, no dia 9 de maio de 1999, pouco antes do lançamento do livro “O Amigo Chico, fazedor de poetas” (2001), organizado pelo próprio Benedito Nunes e editado pela Secretaria Executiva de Cultura (Secult), em sua homenagem.
Por que se orgulhar?
Francisco Paulo Mendes foi um professor paraense dedicado à arte e à literatura, além de responsável por várias gerações de poetas, escritores, jornalistas, juristas ou tantos outros intelectauis de destaque em nosso Estado. Amou as letras, a crítica e sempre lutou para que a educação fosse comum a todos que a ela tivessem acesso.
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