Diário do Pará Online

Centenário Líbero Luxardo exibe Marajó Barreira do Mar em cópia restaurada

Três dias de cinema lotado. O Centenário Líbero Luxardo, programação em homenagem ao cineasta, da Secretaria de Estado de Cultura, através do Museu da Imagem e do Som do Pará, tem deixado a platéia do cineminha que o homenageia extasiada com a exibição da obra do maior cineasta da Amazônia.

Três dias de cinema lotado. O Centenário Líbero Luxardo, programação em homenagem ao cineasta, da Secretaria de Estado de Cultura, através do Museu da Imagem e do Som do Pará, tem deixado a platéia do cineminha que o homenageia extasiada com a exibição da obra do maior cineasta da Amazônia.

O público, que já se emocionou com "Um Dia Qualquer", "Belém 350 Anos", "Memórias Póstumas a Magalhães Barata", "Rio Purus", "Pescadores da Amazônia" e "Brutos Inocentes", vai ver neste sábado o segundo longa-metragem de Líbero, "Marajó Barreira do Mar" (Belém-PA;  16 mm; acetato; B/P; sonoro; 80 minutos. GT 2B), produzido em 1964, que será exibido em cópia restaurada pela Cinemateca Brasileira.

Logo que chegou no estado do Pará, na década de 40, Luxardo iniciou um roteiro chamado "Amanhã nos encontraremos", do qual também fez algumas cenas na Ilha do Marajó. O projeto foi interrompido pela 2ª Guerra Mundial, período de escassez de películas cinematográficas. No ano de 1963, depois de haver realizado "Um dia qualquer..", juntando quase toda a equipe técnica e elenco deste, mais o material do projeto interrompido, realizou o filme "Marajó – barreira do mar".

Totalmente rodado em locações na Ilha do Marajó, com algumas cenas iniciais em Belém, sem nenhuma cena em estúdio. Todo o elenco e equipe mudou-se durante cerca de três meses para a Fazenda Livramento, típica fazenda de búfalos marajoara. Lá desenvolveu o enredo do arqueólogo que pesquisa sítios marajoaras, e se hospeda na fazenda onde outras histórias de amor e ódio se desenrolam. Uma espécie de faroeste amazônico em uma das paisagens mais exóticas do Pará. É um dos raros registros do dia-a-dia da ilha neste período e do funcionamento de uma típica fazenda da Ilha, com Casa Grande, vaqueiros e as grandes regiões alagadas, cercadas de mitos e lendas. Um ponto importante a se ressaltar são os solos de violão compostos por Sebastião Tapajós, paraense e hoje um dos maiores violonistas do mundo.

"Marajó" é segundo filme do denominado "Ciclo Amazônico" de Líbero, onde ainda seriam realizados "Um Diamante e Cinco Balas" em 1968 e "Brutos Inocentes" em 1973, já em película colorida de 35 mm. "Um Diamante e Cinco Balas" foi perdido e dele só restam o roteiro e algumas fotos de produção (mas o evento do centenário trouxe à tona o trailler do filme, que estava na casa da filha de Líbero, Mônica Luxardo que está em Belém participando da programação. O trailler foi exibido na abertura) e "Brutos Inocentes" está conservado na reserva do MIS-Pará em cópia restaurada em 1998.

Seminário discute a crítica de Líbero ontem e hoje

Antes da sessão de Marajó Barreira do Mar, às 17h, o evento do Centenário Líbero Luxardo realiza o segundo dia de seminário, que irá discutir "A Crítica Cinematográfica da Obra de Líbero Líbero Luxardo – Ontem e hoje".  Os debatedores Marco Antonio Moreira, da  ACCPA – Associação de Críticos de Cinema do Pará, Fernando Segtowick (realizador e crítico) e José Carneiro (jornalista e pesquisador), discutem como a crítica recebeu os filmes de ficção de Líbero Luxardo na época e como ela o vê nos dias de hoje. A mediação será da jornalista e pesquisadora Dedé Mesquita, que nos anos 90 escreveu seu TCC sobre a vida e obra de Líbero Luxardo.

Serviço: Centenário Líbero Luxardo. Até domingo no cine Líbero Luxardo do Centur. Neste sábado, ás 17h, seminário sobre a crítica da obra do cineasta e em seguida, ás 19h, exibição do longa "Marajó Barreira do Mar". Entrada franca. Informações: (91) 3230.2748. (Secult)